Quando falamos em finanças pessoais, logo nos vêm à mente investimentos e controle orçamentário. Porém, muitos ainda não chegaram à confortável situação de ter algo sobrando no final do mês. Essas pessoas costumam dizer: "sobra mês para o meu salário". Como fazer para acabar com uma crise financeira? Como fazer para sobrar dinheiro para investir?
O primeiro passo é admitir que você está numa crise. E, se você está em crise, você tem que tomar atitudes que permitam que você saia da crise, tornando-a temporária, e não permanente.
Mais preocupante do que a dificuldade que as pessoas têm em poupar é a facilidade que têm em se endividar. Antes do Plano Real, era praticamente impossível obter um financiamento pois os bancos concentravam-se em oferecê-los para as empresas. Desde então, o acesso ao crédito mudou, ficou mais fácil, e as pessoas não pensam duas vezes em comprometer uma grande parcela de seu orçamento com financiamento de bens que, até pouco tempo, não eram tão essenciais. O que ninguém pensou é que, ao adquirir essas dívidas, elas não se prepararam para uma eventualidade como perder o emprego, saúde ruim ou reformas dentro de casa. Se tinham uma situação confortável, de repente se vêem diante de uma dívida crescente.
Muitas pessoas não admitem que estão passando por uma crise financeira e continuam consumindo produtos que muitas vezes nem são necessários para elas. Para que você precisa trocar de carro nesse momento se você está devendo "na praça"? Por outro lado, existem outras pessoas que sabem de sua crise atual, ficam deprimidas, e vão para o shopping comprar roupas para "relaxar". Isso só vai tornar a crise mais longa.
O próximo passo é identificar o que pode ser cortado do orçamento. Sempre existe algo em nossos hábitos que pode ser cortado para amenizar uma crise.
Vivemos em uma sociedade de consumo e, nela, as pessoas compram por impulso ou por causa do status social que podem adquirir. Se você está passando por uma crise financeira, precisa diminuir as suas despesas para poder aliviar o seu orçamento. A recomendação é que corte o máximo que puder, para que a crise termine o mais rápido possível. São exemplos de cortes: não usar chuveiro elétrico e desligar o freezer (economia de luz), lavar o carro com um balde (economia de água), converter o plano do celular para pré-pago, ir ao mercado com uma lista de necessidades e comprar apenas o que consta na lista, etc.
Para identificar os itens que estão pesando no seu orçamento, habitue-se a anotar as suas despesas em uma planilha (pode ser em papel mesmo) e, no final do mês, veja por onde o seu dinheiro mais sai. Você vai se espantar ao perceber certos hábitos seus que passam despercebidos na rotina diária.
Outro passo a ser tomado é acertar as suas contas de uma vez. Se você tem pagamentos demais para serem feitos, priorize-os de acordo com o risco que oferecem. O primeiro risco que você corre é ser considerado inadimplente e incluído no cadastro de maus pagadores do Banco Central. Outro risco é ter o bem (imóvel ou carro) tomado pela instituição de crédito por falta de pagamento. Analise as condições previstas nos financiamentos para só depois priorizar os pagamentos. Nos casos de endividamento de bens valiosos, vale a pena pagar os encargos financeiros do cartão e do cheque especial por alguns meses do que correr o risco de ter o bem retomado.
Ainda que existam momentos em que seja necessário priorizar os pagamentos, o ideal é que você consiga recuperar o seu equilíbrio financeiro o mais rápido possível. Por equilíbrio, entenda-se, não ter mais do que 30% de seu orçamento mensal líquido comprometido com pagamento de prestações. Use este limite para ajudá-lo a tomar decisões de consumo; adie uma compra até conseguir quitar outra dívida.
Como o número de inadimplentes no Brasil é alto, muitas instituições e lojas adotam uma forma mais flexível de negociar as dívidas. As brigas na Justiça são caras para ambas as partes e os credores preferem receber alguma coisa do que não receber nada. Portanto, para quem se encontra endividado, o momento não pode ser melhor para tentar renegociar suas dívidas. Mas cuidado para não abusar da boa sorte: as instituições podem, no futuro, não fazer mais negócios contigo.
Por fim, com a crise amenizando, aprenda com seus erros e controle-se para não cair em tentação novamente. Lembre-se de que nunca devemos dar um passo maior do que a perna. Isso significa nunca gastar mais do que temos, por mais que isto seja muito tentador.
Encerro este post com 10 dicas do Prof. José Hélio para sair do vermelho:
1) Evite usar o cheque especial ou pagar parcialmente o cartão de crédito;
2) Controle os saldos do cartão de crédito com mais freqüência para evitar que você gaste além do necessário;
3) Coloque as dívidas no papel e veja quanto elas te consomem - não contraia novas dívidas sem antes saber o tamanho do seu problema;
4) Elabore um plano radical de enxugamento de gastos para que a dívida seja amortizada o mais rápido possível;
5) Quanto mais intenso for o pagamentos das dívidas, menor será o tempo que você conviverá com elas;
6) Acabe de vez com a tentação das compras à prazo;
7) Use todos os tipos de poupança que você tem - não adianta ter investimentos e perder mais dinheiro com juros das dívidas;
8) Fuja de atividades de lazer pagas - aprenda a valorizar coisas da vida que não custam nada, como passear ao ar livre ou reunir-se com os amigos e a família;
9) Enquanto não conseguir quitar suas dívidas, substitua-as por outras mais baratas - compare as taxas de juros para reduzir a dívida;
10) Faça seu plano de "guerra" junto com a família - é importante que todos estejam engajados e motivem uns aos outros.
Boa sorte!!!