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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A melhor religião

Participavam de uma mesa redonda sobre religião e paz universal o Dalai Lama e Leonardo Boff, famoso teólogo brasileiro. No intervalo, Boff, maliciosamente mas também com interesse teológico, perguntou:

— Santidade, qual é a melhor religião?

Ele esperava que a resposta fosse algo como "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, olhou-o bem nos olhos — o que o desconcertou um pouco, por causa da malícia contida na pergunta — e afirmou:

— A melhor religião é aquela que te faz melhor.

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltou a perguntar:

— O que me faz melhor?

— Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião!


Mãos unidas para orar uma prece
Achei esse diálogo fantástico! Sou ateu e às vezes me perguntam como posso viver sem acreditar que exista Deus, sem ter uma religião para me apoiar.

Eu sempre respondo que acredito na essência do ser humano e que valores éticos e morais não precisam de religião para existirem. Os possuo porque assim fui educado e compreendo a importância deles, sem precisar que religião alguma me bote medo com um ser que é todo poderoso e possa vir a me punir se não me comportar bem.

Seguindo a filosofia do Dalai Lama, minha religião é portanto eu mesmo.


Fonte: Breve diálogo com Leonardo Boff, no site do Dalai Lama.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ateísmo

Esse meu post pode gerar uma polêmica muito grande na área de comentários mas, mesmo assim, decidi escrevê-lo. Antes de lê-lo, aviso-lhe, leitor, que eu sou ateu mas não concordo com discriminação ou perseguição político-religiosa de qualquer natureza. Cada um é livre para pensar como quiser e eu não obrigo ninguém, nem tento convencer, a pensar igual a mim. "Cada um é o único responsável pelos seus atos" (O pequeno príncipe).

Etimologicamente, a palavra ateu é formada pelo prefixo a, que significa negação, e o sufixo teu, derivado do radical grego theós, que significa divindade, ou Deus. Ateu é aquele que não acredita na existência de qualquer divindade, Deus ou deuses. O sufixo ismo denota doutrina, escola, corrente filosófica ou princípio artístico, político ou religioso. Sendo assim, ateísmo é a crença na inexistência de qualquer Deus. Uma religião afirma coisas; o ateísmo, em geral, critica coisas.

A escolha certa sempre é aquela que nos faz feliz ou, pelo menos, nos ajuda a enfrentar a vida. Adotar uma religião é positivo se os efeitos em nossa vida são positivos. Religiões nos trazem esperança, nos convencem de que há justiça no universo. Uma religião nos ensina de que seremos recompensados pelo bem que fazemos e punidos pelo mal.

Ateus não seguem dogmas. Fazem o que lhes parece certo porque é certo, e não porque "está escrito" ou porque esperam uma recompensa em outra vida, muito menos porque têm medo do inferno. Embora tenham defeitos como todo ser humano, estão livres para ser mais tolerantes em relação ao que os outros pensam, porque acham que opinião própria é o direito de cada um.

Religiões oferecem respostas a todas as dúvidas e regras de conduta para qualquer ocasião. Ateus têm que pensar mais ceticamente e tirar suas próprias conclusões, o que os ajuda a refletir melhor e mais profundamente antes de decidir. Muitos preferem a segurança de um dogma à incerteza de uma busca por respostas. É por isto que não se deve tentar ”desconverter” as pessoas. Quando, e se, elas estiverem prontas, irão procurar respostas fora de sua religião.

Ateus devem se policiar para não repetir os erros dos fanáticos religiosos. Devem respeitar as escolhas dos crentes, por mais obtusas que lhes pareçam. Os estereótipos do “ateu revoltado e perverso” e do “ateu sem moral e sem limites”, são frutos de pessoas adeptas do ateísmo que não compreenderam ainda o conceito de livre arbítrio. Os ateus mais conscientes procuram justamente mostrar o contrário: que são honestos, compreensivos e cheios de valores éticos.

Aos poucos, e com cuidado para evitar a rejeição, os ateus procuram despertar nos religiosos a consciência de que a “verdade” deles não é a única; que é possível ser feliz e decente sem um Deus. Se todos fossem iguais, o mundo seria um tédio.