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sábado, 21 de novembro de 2009

Ceticismo ativo

Ao deparar-se com alguma ideia completamente nova ou algum fato que vai contra o status quo vigente, as pessoas costumam tomar uma das seguintes atitudes:
  • Aceitar a ideia ou fenômeno sem oferecer resistência ou crítica;
  • Rejeitar completamente a ideia ou fenômeno.
Em qual das duas você costuma se encaixar?

Ambas as atitudes são equivocadas. A melhor atitude perante novas descobertas é utilizar o ceticismo ativo, característica fundamental dos melhores cientistas. Apesar de sua aparente objetividade, o cético absoluto não contribui para o pensamento científico.

Ser cientista é compreender o princípio da refutabilidade, que nos diz: se há uma condição fundamental para que qualquer hipótese tenha o status de teoria científica, essa hipótese tem de ser falsificável. Em lógica, chamamos a isso de modus tollens. O importante não é definir o que é verdadeiro ou falso e sim distinguir a ciência da pseudo-ciência, sabendo muito bem que, por vezes, a ciência erra e a pseudo-ciência, por ser dogmática, às vezes acerta.

Querem um exemplo?

Há alguns anos, um grupo de parapsicólogos pensaram ter encontrado a prova definitiva da existência da telepatia. Em seus estudos, cientistas ocultavam uma carta de baralho e testavam a capacidade que indivíduos possuíam para “descobrir” qual era a carta oculta. Inacreditavelmente, alguns desses sujeitos eram capazes de obter uma média de acerto que, estatisticamente, seria impossível pelo método da tentativa e erro. Assim, os parapsicólogos afirmaram: “Foi telepatia”.

Felizmente, alguns cientistas dotados do ceticismo ativo quiseram verificar os dados obtidos. Ao repetirem o experimento, observaram que os supostos telepatas não estavam lendo a mente de ninguém. Na verdade, eles estavam fazendo leitura da linguagem corporal. De alguma forma, eles descobriram qual carta os cientistas seguravam apenas avaliando a maneira como o pesquisador os olhava.

Nesse caso, o segundo grupo de cientistas assumiu uma postura de céticos ativos. Talvez, ao se deparar com algum estudo desse tipo, a primeira atitude seja a de rejeitá-lo completamente. No entanto, essa atitude se torna tão dogmática quanto a aceitação dessas idéias sem questionamento.

Assim, o cético ativo é aquele que não apenas aceita ou rejeita uma ideia nova, mas também busca o máximo de dados objetivos capazes de comprová-la ou refutá-la.

Busco ser assim quando encontro algo novo na minha vida. Por isso, o lema desse blog é "reflita sobre tudo o que vier". Eu tento, nem sempre consigo, mas o ceticismo ativo é o horizonte para o qual eu olho quando penso e reflito sobre as coisas da vida.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A melhor religião

Participavam de uma mesa redonda sobre religião e paz universal o Dalai Lama e Leonardo Boff, famoso teólogo brasileiro. No intervalo, Boff, maliciosamente mas também com interesse teológico, perguntou:

— Santidade, qual é a melhor religião?

Ele esperava que a resposta fosse algo como "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, olhou-o bem nos olhos — o que o desconcertou um pouco, por causa da malícia contida na pergunta — e afirmou:

— A melhor religião é aquela que te faz melhor.

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltou a perguntar:

— O que me faz melhor?

— Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião!


Mãos unidas para orar uma prece
Achei esse diálogo fantástico! Sou ateu e às vezes me perguntam como posso viver sem acreditar que exista Deus, sem ter uma religião para me apoiar.

Eu sempre respondo que acredito na essência do ser humano e que valores éticos e morais não precisam de religião para existirem. Os possuo porque assim fui educado e compreendo a importância deles, sem precisar que religião alguma me bote medo com um ser que é todo poderoso e possa vir a me punir se não me comportar bem.

Seguindo a filosofia do Dalai Lama, minha religião é portanto eu mesmo.


Fonte: Breve diálogo com Leonardo Boff, no site do Dalai Lama.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Liderança

O líderA liderança é ingrata. Você coloca ideais, dedica tempo, motiva, incita, conversa, comanda, mas a atividade não reflete todo o seu entusiasmo. Às vezes, seria tão bom se o líder pudesse se clonar e, ele mesmo, tocar a maior parte dos projetos.

Existe uma força invisível que opera permanentemente contra a atividade. É uma luta na qual se desenvolve a persistência e a força das lideranças contra essa força misteriosa que tudo quer paralisar, silenciar e adormecer. Em qualquer organização, grupo, atividade política, sempre há uma minoria de entusiasmados e uma maioria de semi-apagados. O líder então arca com o maior ônus que é motivar os demais; mas quem motiva o líder se não a correspondência dos outros?

A virtude do líder está em tomar para si a tarefa de fazer a mágica da atividade. A missão do líder é construir um sistema de motivação que baste por si só. Infelizmente, esse sistema de motivação é uma coisa difícil porque deve ser estudado e aplicado ao longo do tempo, na base da tentativa e erro, até que, finalmente, consiga manter-se por alguns meses largado à própria sorte.

O problema surge depois quando passa a existir, em cada grupo social, cultural ou político, uma coisa chamada impulso global. Quando o impulso global - a soma e a integração de todas os níveis de atividade - passa de um certo patamar, ultrapassa certa massa crítica, e dá-se então a mágica da atividade. Tudo, simplesmente, passa a funcionar.

Todavia, quando o impulso global fica abaixo de um determinado limiar, as forças antígonas vencem e engessam todo o projeto do líder; a inércia torna-se contagiante, até chegar na raiz do sistema de motivação. O líder sente-se como num deserto, sozinho, sem nada a que se apegar senão memórias. Como num barco em que todos dormem e começa a afundar, e ninguém parece preocupado com isso, as atividades cessam e sepultam-se na história.

Eu tenho consciência de que possuo uma característica de liderança e iniciativa. Mas estou cansado de tentar mudar o ambiente heterogêneo em que vivo todos os dias. Preciso de uma mudança radical em certas variáveis na função que rege o meu modo de ser, na minha personalidade. Preciso derivar e buscar outra equação para que possa voltar a sentir prazer em inovar e pesquisar soluções para os problemas que enfrento.

Contudo, não vou me entregar. Posso até estar paralisado, mas o pulso ainda pulsa. Só preciso achar o ponto da mudança.

Leia mais:
Liderança
Líder

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As amizades são eternas

No último domingo, fui na casa de um velho amigo meu para entregar seu presente de casamento. Eu não conversava com ele havia anos. Quando nos encontramos, parecia que o tempo não tinha diminuído nossa amizade; ela permaneceu mesmo após o período de ausência física.

A correria imposta pelo modo de vida moderno obriga-nos freqüentemente a deixar de entrar em contato com as pessoas que são realmente importantes para nós. Conte agora mesmo quantos amigos e colegas de escola você não vê há pelo menos 1 ano? E há 5 anos? E 10 anos?

Felizmente, o sentimento verdadeiro da amizade prevalece. Ao reencontrarmos essas pessoas percebemos que o tempo não passou tanto assim. Em algumas horas colocamos todos os assuntos ausentes em dia e aparece sempre o gostinho de ficar mais um tempo conversando com a pessoa.

Mas o ritmo da vida moderna nos lembra de que temos que ir para continuarmos nossas tarefas. A vida nos impõe várias atividades também importantes. Quem saberá dizer quanto tempo mais ficaremos sem ver aquela pessoa?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Risco

Corda correndo o risco de romperEm geral, as pessoas têm aversão ao risco. Tomamos nossas decisões conforme nossos medos, expectativas e ganâncias.

Essa premissa é válida nas atividades humanas: mercado de ações, opções de estudo, escolha de emprego, com quem vamos nos casar, quando teremos filhos, etc. Apesar do homem ser forçado pelos seus interesses próprios, o comportamento em grupo - sob a mesma influência - é que define a tendência a ser seguida.

Por exemplo, no jargão do mercado de ações existem os tubarões e as sardinhas. Tubarões são os investidores conhecidos por movimentarem grandes volumes de dinheiro; eles decidem o que querem fazer com o preço do papel e fazem com que o preço suba ou desça conforme seus interesses. Sardinhas são os investidores conhecidos por “nadarem” junto com os de mesma espécie, sempre juntas; são investidores de pequeno porte que lutam juntos para fugir ou enfrentar os grandes tubarões do mercado.

A sardinha um dia quer tornar-se um tubarão e, para isso, tenta imitar os movimentos dos tubarões. Ela acredita que, para ganhar dinheiro no mercado, deve estar ao lado do mais forte. Todos os investidores observam os movimentos dos preços, pois procuram por alguém ou grupo que tenham informações e acabam seguindo a mesma direção da massa intensificando a tendência. Por isso, a queda do preço de uma ação é muito mais rápida do que a subida.

Vamos olhar outro pequeno exemplo que demonstra claramente como funciona a aversão ao risco. Considere que existe um vírus mortal que infectou 1000 pessoas.

Cenário 1:
1) Existe uma vacina que salva 250 pessoas;
2) Existe outra vacina que tem 1/4 de probabilidade de salvar todos e 3/4 de probabilidade de não funcionar, matando todos.

Na primeira solução temos certeza de que serão salvas 250 pessoas. Na segunda solução não temos certeza porque existe uma probabilidade de não salvar nenhuma. A maior parte das pessoas escolhe a primeira solução.

Cenário 2:
1) Existe uma vacina que mata 750 pessoas;
2) Existe outra vacina que tem 1/4 de probabilidade de salvar todos e 3/4 de probabilidade de não funcionar, matando todos.

Quando a primeira solução é colocada sob outra ótica, na qual é informada claramente das perdas, a maioria das pessoas preferem correr o risco de salvar todas ou nenhuma pessoa. A questão é a mesma, apenas é mostrada a solução de outra perspectiva.

Percebemos que a relação não é igual quando temos uma visão de ganho ou visão de perda. Esse exemplo mostra claramente a aversão ao risco. São nossas emoções que prevalecem no final, mesmo que a razão tenha mostrado o caminho a ser seguido.

Leia mais:
Risco
Gerenciamento de riscos de projetos

domingo, 13 de abril de 2008

O sentido do matrimônio

Recebi por e-mail nesta semana o texto abaixo vindo de minha esposa. Espero que gostem do conteúdo assim como eu me identifiquei muito com ele.


O café da manhã que mamãe preparava era maravilhoso! Embora fôssemos uma
família humilde, minha mãe sempre preparava com muito carinho a primeira
refeição do dia. Era ovo frito com farinha, outro dia era ovo escaldado, depois
era bife com pão, lingüiça com ovo e pão... Tudo feito com simplicidade.

Ao acordar, naquela manhã, quando retornei da 'lua de mel', para ir ao
trabalho, pensei que encontraria a mesa posta, o café da manhã preparado. Como
estava acostumado com a casa da mamãe, pensei que acordaria com aquele gostoso cheirinho que vinha sempre da cozinha lá de casa. Olhei para o lado e vi minha esposa, Neusa, dormindo profundamente. Feito um anjinho - de pedra!

Raspei a garganta, fiz barulho tentando acordá-la. Nada! Fui para o
trabalho irritado, de barriga vazia. O local do trabalho ficava a uns cinco
minutos do apartamento que alugávamos. Ao me sentar na mesa de trabalho,
sentindo a estômago roncar, abri a Bíblia no seguinte trecho: 'O que quereis que
os homens vos façam, fazei-o também a eles' (Lucas 6:31).

Disse pra mim mesmo: 'O Senhor não precisa dizer mais nada'. Lá pelas nove
horas da manhã, hora em que se podia tirar alguns minutos para o café, dei um
jeito de ir até o apartamento, não sem antes passar em uma padaria e comprar
algumas guloseimas. Preparei o café da manhã e levei na cama para Neusa. Ela
acordou com aquele sorriso tão lindo! Estamos para completar Bodas de Prata.
Nesses quase vinte e cinco anos de casamento, continuo repetindo esse gesto
todos os dias. E com muito amor!

Estou longe de ser um bom marido, mas a cada dia me esforço ao
máximo... Tenho muito a melhorar, tenho de ser mais santo, mais paciente,
mais carinhoso. Sinto-me ainda longe disso, pois o modelo que estou mirando
é Jesus: 'Maridos, continuai a amar as vossas esposas, assim como Cristo amou a
igreja e se entregou por ela' (Efésios 5:25).

O matrimônio é um desafio, pois a todo o momento temos que perdoar e pedir
perdão. A cada dia temos que buscar forças em Deus, pois sem Ele nada podemos
fazer.

Quando Paulo se despedia dos cristãos em Éfeso, citou uma bela frase : 'Há
mais felicidade em dar do que há em receber' (Atos 20:35). Quando se descobre
isso no matrimônio, se descobre o princípio da felicidade.

Por que muitos casamentos não tem ido adiante? Porque o egoísmo tomou conta
do casal. É o 'cada um por si' que vigora.

Estamos na sociedade do descartável: copo descartável, prato descartável,
etc. Pessoas não são descartáveis, porém, o que não é descartável precisa ser
cuidado para ser durável.

O mundo precisa do testemunho dos casais de que o matrimônio vale a pena!
E, para que isso aconteça, é necessário um cuidado amoroso e carinhoso por parte
do marido e da esposa. Ambos têm o dever de cuidar um do outro com renovados
gestos de carinho e perdão diariamente.

É preciso declarar, todos os dias o amor, em gestos e palavras. A primeira
palavra que sempre digo para minha esposa ao iniciar o dia é: 'Eu amo você'. Não
é fácil dizer isso às vezes, pois muitas vezes acordo de mal comigo mesmo. Faça
isso agora também. Declare seu amor!

Aos solteiros e aos que ainda não se casaram, quero dizer o seguinte: 'Se
você estiver pensando em casar para ser feliz, não se case! Fique como está,
solteiro mesmo'. Mas, se sua intenção é casar para fazer alguém feliz, case-se e
você será a pessoa mais feliz do mundo!

O segredo da felicidade é fazer o outro feliz!


(Autor desconhecido)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ateísmo

Esse meu post pode gerar uma polêmica muito grande na área de comentários mas, mesmo assim, decidi escrevê-lo. Antes de lê-lo, aviso-lhe, leitor, que eu sou ateu mas não concordo com discriminação ou perseguição político-religiosa de qualquer natureza. Cada um é livre para pensar como quiser e eu não obrigo ninguém, nem tento convencer, a pensar igual a mim. "Cada um é o único responsável pelos seus atos" (O pequeno príncipe).

Etimologicamente, a palavra ateu é formada pelo prefixo a, que significa negação, e o sufixo teu, derivado do radical grego theós, que significa divindade, ou Deus. Ateu é aquele que não acredita na existência de qualquer divindade, Deus ou deuses. O sufixo ismo denota doutrina, escola, corrente filosófica ou princípio artístico, político ou religioso. Sendo assim, ateísmo é a crença na inexistência de qualquer Deus. Uma religião afirma coisas; o ateísmo, em geral, critica coisas.

A escolha certa sempre é aquela que nos faz feliz ou, pelo menos, nos ajuda a enfrentar a vida. Adotar uma religião é positivo se os efeitos em nossa vida são positivos. Religiões nos trazem esperança, nos convencem de que há justiça no universo. Uma religião nos ensina de que seremos recompensados pelo bem que fazemos e punidos pelo mal.

Ateus não seguem dogmas. Fazem o que lhes parece certo porque é certo, e não porque "está escrito" ou porque esperam uma recompensa em outra vida, muito menos porque têm medo do inferno. Embora tenham defeitos como todo ser humano, estão livres para ser mais tolerantes em relação ao que os outros pensam, porque acham que opinião própria é o direito de cada um.

Religiões oferecem respostas a todas as dúvidas e regras de conduta para qualquer ocasião. Ateus têm que pensar mais ceticamente e tirar suas próprias conclusões, o que os ajuda a refletir melhor e mais profundamente antes de decidir. Muitos preferem a segurança de um dogma à incerteza de uma busca por respostas. É por isto que não se deve tentar ”desconverter” as pessoas. Quando, e se, elas estiverem prontas, irão procurar respostas fora de sua religião.

Ateus devem se policiar para não repetir os erros dos fanáticos religiosos. Devem respeitar as escolhas dos crentes, por mais obtusas que lhes pareçam. Os estereótipos do “ateu revoltado e perverso” e do “ateu sem moral e sem limites”, são frutos de pessoas adeptas do ateísmo que não compreenderam ainda o conceito de livre arbítrio. Os ateus mais conscientes procuram justamente mostrar o contrário: que são honestos, compreensivos e cheios de valores éticos.

Aos poucos, e com cuidado para evitar a rejeição, os ateus procuram despertar nos religiosos a consciência de que a “verdade” deles não é a única; que é possível ser feliz e decente sem um Deus. Se todos fossem iguais, o mundo seria um tédio.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Simplicidade voluntária

Logo da Simple Living NetworkViver com simplicidade é cultivar valores e práticas em que a essência da vida está nos valores profundos e não em distrações. Significa não comprar mais do que precisa para ter uma vida confortável. Essa é a base de um movimento mundial chamado Simplicidade Voluntária, que prega uma vida sem excessos, prática e objetiva, com as finanças pessoais em dia e preocupação com a preservação ambiental.

Para que comprar algo apenas porque disseram a você para comprar? Você realmente precisa do produto? Uma das lições desse movimento é fazer o indivíduo perguntar-se "Esse produto vale a energia vital e o tempo que gastei para ganhar esse dinheiro?", ou "Esse produto vai tornar a minha vida melhor?".

Equilibrar o orçamento doméstico é uma das metas para os seguidores do movimento. Com as finanças em dia, você não precisa ter que trabalhar dobrado para poder conseguir pagar as contas daquele produto que você comprou por estar na moda. Ganha-se qualidade de vida e tempo para poder ajudar na preservação ambiental.

Preservação do meio ambiente não é somente plantar uma árvore ou economizar água em casa. Passa também por ajudar a quem mais necessita; retirar uma criança pobre das ruas ajuda a melhorar o ambiente social em que vivemos.

As pessoas que passaram a integrar o movimento têm feito coisas para ajudar no movimento como trocar entre elas produtos que não têm mais uso dentro de casa ou usar a mesma roupa várias vezes na semana (essa é difícil para as mulheres). Toda vez que gastamos com algo que não possui real necessidade, ou usamos durante um período muito curto e depois jogamos fora, estamos contribuindo para a escassez de recursos no planeta.

É um processo de longo prazo, afinal ir a um lugar e desejar um objeto é natural. A nossa mente está fazendo isso constantemente conosco porque existe uma indústria de propaganda que quer massificar o jeito americano (american way of life) de viver. Começar a criticar esses pensamentos e agir conscientemente é a chave para fazer a diferença no mundo.

Encerro esse post com um pensamento da porta-voz do movimento, Vicki Robin: "Afinal, quantos sofás você precisa na sua vida? O que precisamos é de pessoas sentando nele."

Não compre por impulso, pense antes

sábado, 10 de novembro de 2007

Timidez

Hoje, após o almoço, estávamos eu, Rosinha e Ednara conversando e o papo direcionou para o assunto timidez. Eu havia comentado que a causa da timidez é a falta de confiança da pessoa nela mesmo e/ou nos que a cercam. Por sugestão de Rosinha, estou agora aqui pesquisando mais profundamente e escrevendo sobre o tema.

A primeira informação que encontrei sobre a timidez é de que ela não é um transtorno mental como muitos pensam. A fobia social é que é um transtorno que deve ser tratado por um profissional da saúde mental. A timidez é mais branda e menos perigosa.

Há duas maneiras de explicar o que é a timidez. A primeira, usada pelo senso comum, é pela descrição dos sinais e sintomas que se destacam na pessoa. A segunda, pelo que se passa dentro da pessoa.

Pelo senso comum, a timidez é caracterizada pela inibição em situações de comportamento social, podendo ser acompanhada de alterações fisiológicas como aceleração de respiração e dos batimentos cardíacos. A depender do grau, a pessoa "congela" em uma situação que ela teme.

A outra maneira de explicar a timidez é descrevendo o que se passa dentro da pessoa. Isso é geralmente mais fácil para os psicológos e terapeutas, que buscam identificar pontos como ansiedade, presença de desacordos internos e sentimentos que se expressam em fantasias.

A timidez funciona como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar uma nova situação antes de se expôr a ela. Permite a avaliação da melhor resposta à situação com cautela. A falta de confiança da pessoa em agir perante a situação é que determina o grau de timidez. Se, mesmo assim, a pessoa tiver confiança nela mesma mas sentir que os indivíduos que também participam da situação não inspiram confiança, então ela agirá timidamente também.

Seja qual for a explicação dada a timidez, ela não priva o indivíduo de viver, mas afeta a sua qualidade de vida. Todos os seres humanos são, em grau moderado, tímidos em algum momento de sua vida.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sabedoria oriental

Recebi um e-mail hoje com o mesmo título desse post que continha uma estória interessante.

"Um velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

- 'Qual é o gosto?', perguntou o Mestre.

- 'Ruim', disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:

- 'Beba um pouco dessa água'.

Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:

- 'Qual é o gosto?'

- 'Bom!', disse o rapaz.

- 'Você sente o gosto do sal?', perguntou o Mestre.

- 'Não', disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:

- 'A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo e torne-se um lago'."

Às vezes nós estamos com um problema que julgamos ser de extrema importância e prioridade; mas esquecemos que podem existir problemas piores e de relevância maior. Um mesmo problema pode ser encarado de formas diferentes por cada pessoa e isso consumi-la por dentro. A diferença está em o quanto você deixa o problema tomar conta de ti.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Meme

A mais nova mania na comunidade blogger é o meme. Segundo a Wikipedia, o meme "é para a memória o análogo do gene na genética, a unidade mínima". É um termo usado pra descrever uma unidade de informação que é passado de cérebro para cérebro, pode se auto-propagar, e reflete o aprendizado por cópia a partir de uma outra pessoa. Um meme pode ser uma parte de uma idéia ou, até mesmo, a idéia completa.

Comparando com a genética, a memética é uma pseudo-ciência que "estuda os modelos evolutivos da transferência de informação" (Wikipedia). Assim como os genes sofrem mutações e cruzamentos, os memes também evoluem pelas mesmas regras da evolução natural das espécies. Apenas os memes mais fortes sobrevivem, ou seja, as melhores idéias. Os memes fracos são descartados para não comprometer a evolução da "espécie", ops, informação.

Meme pode ser considerado tudo aquilo que aprendemos a partir de outra pessoa, livro, revista ou palestra. É a "transmissão da informação de uma mente para outra" (Wikipedia). A evolução de um meme é considerada "viral" por se reproduzir tal como um vírus de verdade. Com isso, a cultura humana evolui sobre uma base de conhecimento que é deixada como legado das gerações anteriores.

Exemplos de meme:
  • Provérbios: "Mais vale um pássaro na mão do que dois voando", "Quem com porcos anda, farelos come";
  • Vermes de orelha: refrões de letras de música que "grudam" em nossa cabeça;
  • Piadas;

Várias pessoas estão convidando outras a participar de memes através de seus blogs. Alguém lança uma idéia - por exemplo, quais são cinco blogs que você considera mais interessantes- e indica algumas pessoas para completar e difundir o meme. Cada uma dessas pessoas vai responder à idéia e convidar mais outras pessoas. Assim, o meme vai crescendo exponencialmente, tal como um vírus, e, mesmo que alguém quebre a corrente, a idéia se propaga pela internet.

Concluo esse post com uma frase interessantíssima: "A chave de todo ser humano é seu pensamento. Resistente e desafiante aos olhares, tem oculto um estandarte que obedece, que é a idéia ante a qual todos seus fatos são interpretados. O ser humano pode somente ser reformado mostrando-lhe uma idéia nova que supere a antiga e traga comandos próprios". (Ralph Waldo Emerson)

sábado, 18 de agosto de 2007

Voar...

No comentário sobre o post do Second Life, minha amiga Ednara comentou que adorou voar dentro do mundo virtual criado pela Linden Labs. No Second Life, nos deslocamos de um local para outro através do vôo. Conversando sobre isso com Rosinha, parei para refletir: na primeira vida, eu sou impossibilitado de voar, e na segunda vida, eu posso voar.

Nós não podemos voar na vida real por três motivos. O primeiro deles é que não possuimos asas e outro é que a natureza não nos deu uma constituição física decente para realizar tal tarefa. Por fim, nós não possuímos poderes especiais como o Super-Homem ou o Tocha Humana.

As aves voam porque seu corpo está adaptado a realizar esta tarefa. Os ossos das aves são leves e ocos, estando ligados a um sistema de sacos de ar. As asas dos aviões usam o mesmo princípio físico que as asas das aves. A grande superfície e seu formato fazem com o que o ar passe mais rápido pela parte de baixo do que pela de cima, e isso provoca uma força para cima que faz com que o corpo voe. Além das asas, as aves possuem pulmões e vasos sanguíneos grandes pois o vôo consome muita energia e assim precisam de muito oxigênio.

As aves ainda possuem técnicas diferentes de vôo. As aves pequenas batem rapidamente as asas para conseguir altitude e daí em diante planam para economizar energia. Alguns pássaros não planam por causa do atrito com o ar e preferem fechar as asas em períodos regulares entre os batimentos das asas. Também existe a técnica mais avançada usada geralmente por aves grandes que é o do vôo planado térmico. Esta técnica consiste de tirar vantagens do fato de o ar quente ter tendência a subir (como os balões). Assim, essas aves apanham as correntes de ar quente como se fossem elevadores e usam esse ganho de altitude para planar. Nas espécies marinhas, existe também o uso dos ventos para ganhar altitude e daí em diante planar.


Ilustração que mostra o vôo de uma ave



Nas tentativas de voar, os cientistas humanos tentaram sempre copiar o vôo das aves. Leonardo da Vinci inventou várias máquinas após seus estudos sobre a anatomia das asas das aves e as técnicas utilizadas por elas. Mas o sucesso do sonho humano de voar veio quando a Física de Isaac Newton explicou o princípio da sustentação, possibilitando a criação do avião. Para que o avião se sustente no ar, é preciso que alguma coisa vença ou anule o seu peso (força causada pela gravidade). Com estudos realizadas sobre diferentes formatos de asas, conseguiu-se um modelo pelo qual o ar, um fluido presente na atmosfera terrestre, passe mais rápido por baixo da asa do que por cima dela. Isso provoca um aumento da pressão dinâmica (ar em movimento) e uma diminuição da pressão estática (ar em repouso), o que gera uma força contrária ao peso do avião. Essa força é chamada de SUSTENTAÇÃO e possui valor maior do que o valor da força-peso do avião, levando-o a voar.


Ilustração que mostra a aerodinâmica da asa de um avião



Na ficção das histórias em quadrinhos e desenhos animados, podemos encontrar vários personagens com a habilidade de voar. A suposta origem dos poderes do Super-Homem é o sol amarelo da Terra; em Kripton, o sol era vermelho. Essa diferença de espectro eletromagnético teria causado nas células do personagem uma reação que o deixava com a capacidade de voar, ter visão de raio-x, possuir força sobre-humana, e outros. O que anulava os efeitos do sol amarelo no Super-Homem eram fragmentos de kriptonita vindos da explosão do seu planeta natal. Outro personagem teve sua habilidade de voar explicada através da exposição a raios cósmicos durante um vôo espacial (com uma espaçonave). O Tocha Humana adquiriu após essa exposição a capacidade de envolver o seu corpo em chamas. Como o ar ficava muito rarefeito por causa da queima do oxigênio, ele poderia voar livremente.

A vida não é tão simples como o mundo virtual do Second Life mostra. Na primeira vida, nós nos deslocamos por táxi, ônibus, carros, trens, aviões, navios e espaçonaves. Preferiria que a segunda vida não nos colocasse super-poderes e realmente simulasse a vida como ela é. Talvez, assim, tivesse criado uma condição mais próxima da nossa primeira vida e tornado a brincadeira mais interessante.

sábado, 28 de julho de 2007

L'amour

Charge de Laerte
Ah! Como é boa a sensação de estar apaixonado e ser correspondido. Como é bom amar! Para quem está nessa situação, a poesia de Luís de Camões parece ser uma benção aos ouvidos: "o amor é um fogo que arde sem se ver".
Segundo a Wikipedia, a palavra amor vem do latim amor e significa afeição, compaixão, misericórdia, atração, paixão, inclinação, querer bem, satisfação, conquista, libido, desejo, etc. "O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e alimentar as estimulações sensoriais e psicológicas necessárias para a sua manutenção e motivação." Ufa! O amor já é complicado desde a sua definição.
Eu gosto de encarar o amor como algo essencial para termos uma razão pela qual viver. O amor é essencial para o ser humano conseguir viver. Daí vem a frase que diz: "o amor é que move o mundo". Indo mais além, digo também que a falta de amor, o ódio, também move o mundo como podem testemunhar os palestinos e israelenses. O amor nos leva a fazer coisas absolutamente irracionais e isso é prejudicial a depender da forma de pensar de quem está amando. Quando estamos apaixonados, não há distância e nem obstáculos que nos impeçam de nos aproximar de nossa pessoa amada e ficar junto a ela. Por outro lado, os mais psicologicamente frágeis podem criar mecanismos de manter a pessoa amada constantemente ao lado para acompanhar cada passo dado e assim não correr o risco de ser traído. Esse tipo de amor (doentio) não é aceito por algumas pessoas mas não deixa assim mesmo de ser amor.
Do ponto de vista antropológico, devemos nos casar (acasalar também serve no contexto) e constituir uma família para a perpetuação dos nosso código genético. São raros os casais que não possuem filhos - desconsiderando os que não podem gerar filhos por algum problema biológico. Nossos filhos, frutos de um trabalho sexual feito com amor, são a continuação da nossa espécie. Sem os filhos, é como se nós mesmos ficássemos perdidos na história humana e sem a possibilidade de continuação de nossa cultura e tradição ao longo do tempo.
Incluindo uma perspectiva financeira e econômica, um casamento é uma forma de sociedade em que o capital de giro é alimentado pela renda fixa mensal de uma ou das duas partes - no Brasil, ainda não é permitida uma sociedade conjugal com mais de dois indivíduos. Uma pessoa sozinha pode precisar de duas vezes mais tempo para acumular a mesma riqueza que poderia acumular se casasse com uma pessoa. Casando, a chance de acumular mais riqueza aumenta e cresce exponencialmente quando o dinheiro é investido corretamente. Um dos maiores motivos de brigas entre casais é justamente com relação ao dinheiro. Como em toda sociedade, nenhuma das partes pode fraquejar e deixar o plano financeiro do casal ir "por água abaixo". Tem que se manter firme no planejamento e ajustá-lo conforme as necessidades que virão.
Quem não se associa a outra pessoa para compartilhar o amor ainda assim não pode deixar de amar. Os solteirões convictos frequentemente criam um animal de estimação para completar essa lacuna. O amor é essencial e eles precisam ter algo para amar, não necessariamente tem que ser outra pessoa. Há solteiros que preferem amar o seu carro, ou a sua televisão, e passar todos os seus finais de semana viajando ou assistindo canais da TV fechada. O amor deles é válido desde que não prejudiquem as suas vidas. A partir do momento que isso gere depressão ou outra doença psicológica, está na hora de parar de amar coisas e passar a amar pessoas.
Por fim, cada um deve procurar a sua forma de inserir o amor em sua vida. O amor é o que basta para qualquer pessoa sentir-se motivada, feliz e realizada. Quando a humanidade colocar o amor acima de todas as outras coisas, o mundo poderá ser um local melhor para vivermos em paz.
NOTA: Charge do Laerte, encontrada em algum lugar da internet que eu nem me lembro mais.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

A mentira e a Bahia

Quem gosta de mentira? Essa é uma das poucas coisas que particularmente me irritam e podem até me tirar do sério. Segundo o filósofo Kant, ninguém deve mentir nunca pois a mentira pode induzir outros indivíduos a agirem de uma maneira que não corresponde à sua vontade. Se um indivíduo age mediante a mentira proferida por alguém, ele viola seu próprio direito ao livre arbítrio e, consequentemente, pode repassar essa mentira a outros indivíduos inconscientemente, tal como num "efeito borboleta".
Em contrapartida, podemos passar por uma situação em que a mentira pode tornar-se crucial para que um desastre não aconteça. Se um assassino bate à sua porta procurando por seu amigo, e seu amigo está na sua cozinha fazendo um lanche, o que dizer ao assassino? O mais fácil, e aparentemente correto no momento, é mentir para salvar a vida de seu amigo. Indo mais além, a mentira aí cabe com perfeição porque o indivíduo do qual você irá tirar o direito de saber a verdade iria cometer outro atentado ao direito de outro indivíduo (no caso, o direito de viver). Sendo assim, a mentira passa a ser justa nessa situação. "Onde nenhum direito existe, também nao há deveres".
Posso concluir então que se você não merece a verdade, eu não devo te dar o privilégio de saber a verdade. A mentira pode ser ética se justificada corretamente em seu contexto.

Aqui Cabe Mentiroso
Com uma vida marcada por mentiras, privando o povo baiano de seu direito à verdade, morreu nesta sexta-feira Antonio Carlos Magalhães, um dos maiores mentirosos que o Brasil pôde ter. Médico que jamais clinicou ou atendeu a população, o homem de alcunha "Toninho Malvadeza" destacou-se por conseguir manobrar a massa popular com destreza e talento. Esse povo que hoje alimenta o mito de um homem que tudo fazia pela Bahia está órfão de sua liberdade de ação, roubada pelas sucessivas mentiras contadas por ACM e seus comparsas.
Lembram de Kant? ACM não tinha e nem nunca teve o direito de mentir para o seu povo porque os baianos nunca perderam o seu direito à verdade. Agora, alguns baianos que não possuem liberdade crítica de pensamento vão ao seu túmulo para dar adeus justamente à pessoa que mais lhes vetou a ação de pensar livremente. Não tem outra justificativa que não seja a declaração de loucura dessas pessoas.
O melhor desfecho que poderia ter ACM em sua biografia seria estar vivo para ver a ascensão de seus adversários políticos e a derrocada de seu grupo "carlista", através da revelação da verdade oculta por suas mentiras. Nem na hora da morte o homem deixou-nos saber a verdade por trás de seus atos como representante político da Bahia. Espero que estes poucos loucos baianos descubram logo a farsa em que estavam envolvidos.