Recebi um e-mail, vindo de uma das listas de e-mail que costumo acompanhar, onde consta um depoimento de um deficiente visual sobre a dificuldade de aprender Java. A pessoa em questão é Bruno Souza, de Salvador-BA, novato nessa tecnologia de programação para computadores e que buscou o auxílio do DFJUG, grupo de usuários Java do Distrito Federal. Esse grupo já possui experiência no ensino de Java para deficientes visuais e está ajudando o nobre colega a solucionar o seu problema, contando também com o apoio do JavaBahia.
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"Eu, Bruno Cerqueira de Souza, tenho 20 anos e acabei de concluir o 2º grau. Não precisa nem dizer como foi o meu período no colégio, já que sabemos o crime que é o ensino público no nosso país. Se para quem não porta deficiência já é difícil, imagine para eu que sou portador de deficiência visual.
Em agosto de 2007, o Governo do Estado, juntamente com algumas empresas, o SETEB e o Ministério do Trabalho decidiram criar um curso voltado para a área de TI (Tecnologia da Informação) para alguns alunos da rede estadual de ensino. Além da informação de que o curso seria voltado para a área de TI nós tínhamos tambem a informação de que o curso iria comecar em outubro de 2007, o que não aconteceu.
Em março de 2008 fui surpreendido com uma ligacao informando que o tão famoso curso iria começar. Já que eu não estava ocupado no turno da manhã, resolvi fazer parte dessa turma piloto. Ao iniciar, procurei informações sobre o curso, do que seria, qual a finalidade e o principal de tudo, era saber se o JAWS iria funcionar com o programa que eles iriam utilizar. Inicialmente começaram usando o C++ mas, faltando 03 meses para o término do curso, soube que o programa que iria ser utilizado era o NetBeans 5.0, o qual me trouxe várias preocupações. O NetBeans não funcionou com o JAWS, e eu não queria desistir do curso, pois eu me interessei pela tecnologia JAVA. Foi quando tive uma informação de que em Brasília tinha um projeto chamado Iniciativa JEDI que trabalhava com a finalidade de ministrar cursos de JAVA para deficientes visuais. Olha a minha luz no fim do túnel. A partir daí, fui procurar algum contato que pudesse me ajudar a derrubar mais essa barreira. Eu nunca desisti de nada em minha vida, nada para mim foi fácil, se eu nunca desisti de nada, não vai ser agora que irei desistir. Hoje, faltando menos de 01 mês para o término do curso não consegui atingir minhas metas, que era finalizar o curso sabendo dominar essa primeira fase da programação em Java.
Eu estou tão determinado a aprender JAVA que saio de casa de segunda a sexta, as 06:00 da manhã para ir ao curso que começa às 08:00 e acaba às 12:00, afinal de contas, sou cego e não surdo. Queria poder me especializar mais no uso do JAVA mas, até agora, desconheço algum curso de programação gratuito, já que não tenho condicões de pagar um curso particular. Com muito sacrifício consegui um trabalho em uma empresa, a quem tenho muito que agradecer, já que foi a única que me deu uma chance. Das 13:00 as 17:00 trabalho como aprendiz no RH da mesma, adoro o que faço mas, queria mesmo é trabalhar com programação. Até pouco tempo consegui contatar o Daniel que é o coordenador da Iniciativa JEDI mas, devido aos dois meses que fiquei parado, por incompatibilidade do JAWS com o NetBeans, foram o suficiente para atrapalhar o meu desenvolvimento no curso, e em consequência perdi muita coisa no curso mas, se eu encontrar algum curso de programação saibam, estarei lá".
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Como toda história de luta tem um final feliz, o coordenador da Iniciativa JEDI, Daniel, contactou Serge Rehem, líder do JavaBahia, que conseguiu a capacitação para Bruno em uma parceria com a empresa de treinamento Baraúna. Em contrapartida, Bruno irá ajudar Serge, que é gerente de desenvolvimento no Serpro, a validar as adaptações do programa de imposto de renda para deficientes visuais.