sábado, 18 de agosto de 2007

Voar...

No comentário sobre o post do Second Life, minha amiga Ednara comentou que adorou voar dentro do mundo virtual criado pela Linden Labs. No Second Life, nos deslocamos de um local para outro através do vôo. Conversando sobre isso com Rosinha, parei para refletir: na primeira vida, eu sou impossibilitado de voar, e na segunda vida, eu posso voar.

Nós não podemos voar na vida real por três motivos. O primeiro deles é que não possuimos asas e outro é que a natureza não nos deu uma constituição física decente para realizar tal tarefa. Por fim, nós não possuímos poderes especiais como o Super-Homem ou o Tocha Humana.

As aves voam porque seu corpo está adaptado a realizar esta tarefa. Os ossos das aves são leves e ocos, estando ligados a um sistema de sacos de ar. As asas dos aviões usam o mesmo princípio físico que as asas das aves. A grande superfície e seu formato fazem com o que o ar passe mais rápido pela parte de baixo do que pela de cima, e isso provoca uma força para cima que faz com que o corpo voe. Além das asas, as aves possuem pulmões e vasos sanguíneos grandes pois o vôo consome muita energia e assim precisam de muito oxigênio.

As aves ainda possuem técnicas diferentes de vôo. As aves pequenas batem rapidamente as asas para conseguir altitude e daí em diante planam para economizar energia. Alguns pássaros não planam por causa do atrito com o ar e preferem fechar as asas em períodos regulares entre os batimentos das asas. Também existe a técnica mais avançada usada geralmente por aves grandes que é o do vôo planado térmico. Esta técnica consiste de tirar vantagens do fato de o ar quente ter tendência a subir (como os balões). Assim, essas aves apanham as correntes de ar quente como se fossem elevadores e usam esse ganho de altitude para planar. Nas espécies marinhas, existe também o uso dos ventos para ganhar altitude e daí em diante planar.


Ilustração que mostra o vôo de uma ave



Nas tentativas de voar, os cientistas humanos tentaram sempre copiar o vôo das aves. Leonardo da Vinci inventou várias máquinas após seus estudos sobre a anatomia das asas das aves e as técnicas utilizadas por elas. Mas o sucesso do sonho humano de voar veio quando a Física de Isaac Newton explicou o princípio da sustentação, possibilitando a criação do avião. Para que o avião se sustente no ar, é preciso que alguma coisa vença ou anule o seu peso (força causada pela gravidade). Com estudos realizadas sobre diferentes formatos de asas, conseguiu-se um modelo pelo qual o ar, um fluido presente na atmosfera terrestre, passe mais rápido por baixo da asa do que por cima dela. Isso provoca um aumento da pressão dinâmica (ar em movimento) e uma diminuição da pressão estática (ar em repouso), o que gera uma força contrária ao peso do avião. Essa força é chamada de SUSTENTAÇÃO e possui valor maior do que o valor da força-peso do avião, levando-o a voar.


Ilustração que mostra a aerodinâmica da asa de um avião



Na ficção das histórias em quadrinhos e desenhos animados, podemos encontrar vários personagens com a habilidade de voar. A suposta origem dos poderes do Super-Homem é o sol amarelo da Terra; em Kripton, o sol era vermelho. Essa diferença de espectro eletromagnético teria causado nas células do personagem uma reação que o deixava com a capacidade de voar, ter visão de raio-x, possuir força sobre-humana, e outros. O que anulava os efeitos do sol amarelo no Super-Homem eram fragmentos de kriptonita vindos da explosão do seu planeta natal. Outro personagem teve sua habilidade de voar explicada através da exposição a raios cósmicos durante um vôo espacial (com uma espaçonave). O Tocha Humana adquiriu após essa exposição a capacidade de envolver o seu corpo em chamas. Como o ar ficava muito rarefeito por causa da queima do oxigênio, ele poderia voar livremente.

A vida não é tão simples como o mundo virtual do Second Life mostra. Na primeira vida, nós nos deslocamos por táxi, ônibus, carros, trens, aviões, navios e espaçonaves. Preferiria que a segunda vida não nos colocasse super-poderes e realmente simulasse a vida como ela é. Talvez, assim, tivesse criado uma condição mais próxima da nossa primeira vida e tornado a brincadeira mais interessante.