Nós não podemos voar na vida real por três motivos. O primeiro deles é que não possuimos asas e outro é que a natureza não nos deu uma constituição física decente para realizar tal tarefa. Por fim, nós não possuímos poderes especiais como o Super-Homem ou o Tocha Humana.
As aves voam porque seu corpo está adaptado a realizar esta tarefa. Os ossos das aves são leves e ocos, estando ligados a um sistema de sacos de ar. As asas dos aviões usam o mesmo princípio físico que as asas das aves. A grande superfície e seu formato fazem com o que o ar passe mais rápido pela parte de baixo do que pela de cima, e isso provoca uma força para cima que faz com que o corpo voe. Além das asas, as aves possuem pulmões e vasos sanguíneos grandes pois o vôo consome muita energia e assim precisam de muito oxigênio.
As aves ainda possuem técnicas diferentes de vôo. As aves pequenas batem rapidamente as asas para conseguir altitude e daí em diante planam para economizar energia. Alguns pássaros não planam por causa do atrito com o ar e preferem fechar as asas em períodos regulares entre os batimentos das asas. Também existe a técnica mais avançada usada geralmente por aves grandes que é o do vôo planado térmico. Esta técnica consiste de tirar vantagens do fato de o ar quente ter tendência a subir (como os balões). Assim, essas aves apanham as correntes de ar quente como se fossem elevadores e usam esse ganho de altitude para planar. Nas espécies marinhas, existe também o uso dos ventos para ganhar altitude e daí em diante planar.

Nas tentativas de voar, os cientistas humanos tentaram sempre copiar o vôo das aves. Leonardo da Vinci inventou várias máquinas após seus estudos sobre a anatomia das asas das aves e as técnicas utilizadas por elas. Mas o sucesso do sonho humano de voar veio quando a Física de Isaac Newton explicou o princípio da sustentação, possibilitando a criação do avião. Para que o avião se sustente no ar, é preciso que alguma coisa vença ou anule o seu peso (força causada pela gravidade). Com estudos realizadas sobre diferentes formatos de asas, conseguiu-se um modelo pelo qual o ar, um fluido presente na atmosfera terrestre, passe mais rápido por baixo da asa do que por cima dela. Isso provoca um aumento da pressão dinâmica (ar em movimento) e uma diminuição da pressão estática (ar em repouso), o que gera uma força contrária ao peso do avião. Essa força é chamada de SUSTENTAÇÃO e possui valor maior do que o valor da força-peso do avião, levando-o a voar.

Na ficção das histórias em quadrinhos e desenhos animados, podemos encontrar vários personagens com a habilidade de voar. A suposta origem dos poderes do Super-Homem é o sol amarelo da Terra; em Kripton, o sol era vermelho. Essa diferença de espectro eletromagnético teria causado nas células do personagem uma reação que o deixava com a capacidade de voar, ter visão de raio-x, possuir força sobre-humana, e outros. O que anulava os efeitos do sol amarelo no Super-Homem eram fragmentos de kriptonita vindos da explosão do seu planeta natal. Outro personagem teve sua habilidade de voar explicada através da exposição a raios cósmicos durante um vôo espacial (com uma espaçonave). O Tocha Humana adquiriu após essa exposição a capacidade de envolver o seu corpo em chamas. Como o ar ficava muito rarefeito por causa da queima do oxigênio, ele poderia voar livremente.
A vida não é tão simples como o mundo virtual do Second Life mostra. Na primeira vida, nós nos deslocamos por táxi, ônibus, carros, trens, aviões, navios e espaçonaves. Preferiria que a segunda vida não nos colocasse super-poderes e realmente simulasse a vida como ela é. Talvez, assim, tivesse criado uma condição mais próxima da nossa primeira vida e tornado a brincadeira mais interessante.