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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

District 9

Cartaz do filme District 9Acabei de assistir a um filme muito bom e que recomendo a todos os fãs de ficção científica: District 9, ou D-9. Não espere efeitos visuais maravilhosos comparados aos demais filmes do gênero produzidos hoje em dia. O melhor do filme é a temática xenófoba e humanitária, ou melhor, não-humanitária.

D-9 conta a história da chegada de alienígenas há vinte anos numa nave que pousa sobre a cidade de Johannesburg, capital da África do Sul. As criaturas, parecidas com o crustáceo camarão, não conseguem consertar sua nave, ficam desnutridos e doentes pela falta de comida na nave e são forçadas pelas circunstâncias a assentarem-se na cidade. O governo local cria então uma zona na cidade para que eles possam construir suas casas e, em pouco tempo, torna-se uma enorme favela chamada de Distrito 9 - daí o nome do filme - numa alusão ao Distrito 6 que era uma área residencial que ficou famosa durante o regime do apartheid.

Os sul-africanos nativos transformam os alienígenas em párias sociais, unindo brancos e negros numa causa xenófoba comum. A MNU (MultiNational United), organização criada para controlar a situação inédita, resolve então despejar os visitantes do Distrito 9 e relocá-los para um novo ambiente mais seguro para todos. O funcionário Wikus Van Der Merwe é designado para liderar a força-tarefa que irá mudar os alienígenas de lugar. Os "camarões", como são chamados pejorativamente os alienígenas, não gostam da idéia e resistem à ação de despejo.

Durante a execução de sua tarefa, Wikus entra em contato com um fluido especial que um dos visitantes havia produzido para tentar religar a nave. Esse fluido começa a interagir com o DNA humano de Wikus e transformá-lo num ser híbrido. Quando a MNU percebe o potencial da nova descoberta científica, começam a perseguir Wikus para fazê-lo cobaia em experimentos de miscigenação racial. As armas alienígenas só podem ser manuseadas por DNA alienígena e a MNU tenta a todo custo operar essas armas. A chave para o sucesso está em Wikus.

Publicidade do filme num prédioCampanha do filme num prédio (clique para ampliar)

Publicidade do filme num ponto de ônibusCampanha do filme num ponto de ônibus (clique para ampliar)

O filme estreou no circuito americano no dia 14 de agosto e parece que chegará ao Brasil no dia 30 de outubro de 2009. A campanha publicitária do filme é inusitada. Cartazes e murais são espalhados pelas cidades onde ele será exibido com a proibição de acesso a não-humanos, similar ao que aconteceu no regime do apartheid na África do Sul. Há até uma campanha na Internet pelos direitos dos não-humanos.

Campanha pelos direitos dos não-humanos

Com produção de Peter Jackson, o mesmo de O Senhor dos Anéis, D-9 deixa-nos incomodados com um tema tão abalador como a segregação racial. Diferente dos demais filmes do gênero, D-9 convida-nos a refletir sobre outro lado da convivência hipotética entre humanos e alienígenas.

domingo, 2 de março de 2008

Salvador inundada

No dia 28 de fevereiro de 2008, Salvador presenciou a fúria da natureza quando uma frente fria atacou a cidade e derrubou o esperado de quatro meses de chuva em apenas uma noite. Eu estava em uma aula na pós-graduação (do prof. José Maria) e Sérgio me deu uma carona para casa. Ele escreveu um relato hilário sobre o que aconteceu conosco. Mas advirto os meus leitores: o que aconteceu foi pior do que está relatado.

Por Sérgio Simões:

Noite de 28 de fevereiro de 2008. Noite fria. Assim como foi a aula de SOA. Na saída, combinei dar uma carona para meus colegas de pós-graduação, Alexandre e Leo. Mal sabíamos a aventura que nos aguardava...

22:20 - Entramos pela sinaleira do Itaigara. A chuva não pára e o nível da água já assusta. Engato a segunda e acelero, rezando para a fama do Celta de não parar com qualquer água ser verdadeira.

22:29 - Passamos pelo primeiro obstáculo. Chegamos ao Hiper Posto para subir para Brotas. De repente, um pensamento sombrio me gela a espinha. "Se o Itaigara já estava assim, então deve estar descendo muita água da parte alta da cidade".

22:32 - Subimos por uma ladeira secundária para Brotas que mais lembrava uma corredeira. A força da água faz a subida ser mais difícil, mas o Celta vai dando conta do recado. Minha espinha agora parece uma geladeira...

22:38 - O alto de Brotas está completamente inundado. Olho para Alexandre e noto que ele está tão apreensivo quanto eu. O vidro do carro começa a embaçar e a visibilidade é ruim. Tenho de desligar o ar-condicionado várias vezes, pois o motor começa a falhar. A tempéstade se aproxima e estamos indo direto para o seu coração...

22:45 - Alexandre indica um atalho que nos leva para o Bonocô. Ao passar, vemos diversos carros parados e me pergunto se daqui a pouco não seremos mais um deles. Iniciamos a descida da ladeira, que agora é uma verdadeira queda d´agua.

22:50 - A descida para o Bonocô é um caos. Não se sabe mais o que é rua, passeio, buraco. Nessa loucura, sigo apenas os meus instintos. No banco de trás, vejo Léo com os olhos arregalados, abraçando as próprias pernas. Do meu lado, Alexandre começa a rezar baixinho. As "ondas" batem fortes a boreste (sim, agora meu carro passou de veículo terrestre para marítimo em 10 minutos). Seguro firme o leme e navego do jeito que dá.

23:00 - Chegamos ao Bonocô. Lá, a força da água faz com que todos os carros parem para esperar a chuva passar. Falo para meus companheiros: "calma galera, agora vamos sair dessa". Mal termino a frase e uma onda bate forte do lado do Celta. Agora nosso barco virou um submarino. Pelo vidro fechado vemos o flutuar de pneus, lixo e dois rubro-negros afogados, provavelmente pegos de surpresa pela enxurrada. Pobres diabos !

23:10 - O ar está acabando. Tento raciocinar direito enquanto ouço Léo dizer algumas palavras incompreensíveis no banco do fundo. Algo como "eu mato Zé Maria", ou algo parecido. Nessa quase escuridão, Alexandre escreve uma carta de despedida prá Rosinha. O moral da tropa está péssimo. É quando noto que a água converge rapidamente para um mesmo ponto da rua. Dou a partida no motor (sim, descobri que o motor do Celta funciona submerso) e arranco para essa direção. O problema é fazer isso sem um periscópio.

23:15 - Finalmente emergimos à superfície. Olhares curiosos de alguns sobreviventes se perguntam de onde viemos. Nesse momento, vejo a ladeira que nos levaria para o Vale das Flores. Vejo nossa salvação. Antes disso, porém, vemos um jipe Troller e uma Hilux com dificuldades. Nos olhamos os 3 e, sem dizer uma só palavra, damos meia-volta para ajudar. Amarramos nossas camisas umas as outras e improvisamos uma corda.

23:30 - Um troller, 3 hilux e um ônibus depois, decidmos seguir em frente. Os donos dos veículos
socorridos se despedem de nós, com um ar meio agradecido, meio envergonhado ("é sério, fui rebocado por um Celta ?", dizia um deles). Eles tentam agradecer nos dando umas notas molhadas, mas decidimos não aceitar ("nesse novo mundo sub-aquático, o dinheiro não tem qualquer valor", teria dito Léo, ainda em transe).

23:35 - Chegamos ao Vale das Flores. Na porta do prédio de Alexandre, encontramos Rosinha com uma vela e um terço nas mãos, totalmente vestida de preto, já esperando pelo pior. Ao ver Alexandre, ela fala "Ô, meu neguinho, siga a luz, siga a luz...". Demorou, mas ela se recobrou e entendeu que seu recém-marido estava vivo, são e salvo (apesar de um pouco assustado, muito sujo, sem camisa e com a barriga branca e protuberante à mostra). Beijos, abraços, e línguas são interrompidos quando pigarreio "aham", para lembrá-los que estavamo no meio da rua. Deixo os dois pombinhos e decido seguir meu caminho.

00:00 - Pouco tempo depois, termino minha missão. Deixo Léo na antiga passarela do Iguatemi (agora "ponte do Iguatemi"), para que ele vá para sua casa, em Feira de Santana. Horas depois eu descobri que a cidade de Feira já não mais existia, submersa por tsunamis causados pelas fortes chuvas. Isso com certeza o influenciou a seguir na marinha mercante, anos mais tarde.

Então é isso amigos. Fiz esse relato com todas as minhas memórias, antes que o tempo as consuma. Espero que o sacrifício desses 3 verdadeiros heróis não seja esquecido. 28 de fevereiro. O dia em que Salvador foi inundada...

sábado, 18 de agosto de 2007

Voar...

No comentário sobre o post do Second Life, minha amiga Ednara comentou que adorou voar dentro do mundo virtual criado pela Linden Labs. No Second Life, nos deslocamos de um local para outro através do vôo. Conversando sobre isso com Rosinha, parei para refletir: na primeira vida, eu sou impossibilitado de voar, e na segunda vida, eu posso voar.

Nós não podemos voar na vida real por três motivos. O primeiro deles é que não possuimos asas e outro é que a natureza não nos deu uma constituição física decente para realizar tal tarefa. Por fim, nós não possuímos poderes especiais como o Super-Homem ou o Tocha Humana.

As aves voam porque seu corpo está adaptado a realizar esta tarefa. Os ossos das aves são leves e ocos, estando ligados a um sistema de sacos de ar. As asas dos aviões usam o mesmo princípio físico que as asas das aves. A grande superfície e seu formato fazem com o que o ar passe mais rápido pela parte de baixo do que pela de cima, e isso provoca uma força para cima que faz com que o corpo voe. Além das asas, as aves possuem pulmões e vasos sanguíneos grandes pois o vôo consome muita energia e assim precisam de muito oxigênio.

As aves ainda possuem técnicas diferentes de vôo. As aves pequenas batem rapidamente as asas para conseguir altitude e daí em diante planam para economizar energia. Alguns pássaros não planam por causa do atrito com o ar e preferem fechar as asas em períodos regulares entre os batimentos das asas. Também existe a técnica mais avançada usada geralmente por aves grandes que é o do vôo planado térmico. Esta técnica consiste de tirar vantagens do fato de o ar quente ter tendência a subir (como os balões). Assim, essas aves apanham as correntes de ar quente como se fossem elevadores e usam esse ganho de altitude para planar. Nas espécies marinhas, existe também o uso dos ventos para ganhar altitude e daí em diante planar.


Ilustração que mostra o vôo de uma ave



Nas tentativas de voar, os cientistas humanos tentaram sempre copiar o vôo das aves. Leonardo da Vinci inventou várias máquinas após seus estudos sobre a anatomia das asas das aves e as técnicas utilizadas por elas. Mas o sucesso do sonho humano de voar veio quando a Física de Isaac Newton explicou o princípio da sustentação, possibilitando a criação do avião. Para que o avião se sustente no ar, é preciso que alguma coisa vença ou anule o seu peso (força causada pela gravidade). Com estudos realizadas sobre diferentes formatos de asas, conseguiu-se um modelo pelo qual o ar, um fluido presente na atmosfera terrestre, passe mais rápido por baixo da asa do que por cima dela. Isso provoca um aumento da pressão dinâmica (ar em movimento) e uma diminuição da pressão estática (ar em repouso), o que gera uma força contrária ao peso do avião. Essa força é chamada de SUSTENTAÇÃO e possui valor maior do que o valor da força-peso do avião, levando-o a voar.


Ilustração que mostra a aerodinâmica da asa de um avião



Na ficção das histórias em quadrinhos e desenhos animados, podemos encontrar vários personagens com a habilidade de voar. A suposta origem dos poderes do Super-Homem é o sol amarelo da Terra; em Kripton, o sol era vermelho. Essa diferença de espectro eletromagnético teria causado nas células do personagem uma reação que o deixava com a capacidade de voar, ter visão de raio-x, possuir força sobre-humana, e outros. O que anulava os efeitos do sol amarelo no Super-Homem eram fragmentos de kriptonita vindos da explosão do seu planeta natal. Outro personagem teve sua habilidade de voar explicada através da exposição a raios cósmicos durante um vôo espacial (com uma espaçonave). O Tocha Humana adquiriu após essa exposição a capacidade de envolver o seu corpo em chamas. Como o ar ficava muito rarefeito por causa da queima do oxigênio, ele poderia voar livremente.

A vida não é tão simples como o mundo virtual do Second Life mostra. Na primeira vida, nós nos deslocamos por táxi, ônibus, carros, trens, aviões, navios e espaçonaves. Preferiria que a segunda vida não nos colocasse super-poderes e realmente simulasse a vida como ela é. Talvez, assim, tivesse criado uma condição mais próxima da nossa primeira vida e tornado a brincadeira mais interessante.