terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Notícia ruim todo mundo espalha

"Seis ônibus assaltados em Salvador nas últimas 24 horas",
A Tarde, 13 de agosto de 2007.

"Crise áerea deve prejudicar o Natal",
Folha de Pernambuco, 19 de novembro de 2007.

"Três em cada dez vôos saem com atraso superior a uma hora",
Estadão, 22 de dezembro de 2007.

"Morte por febre amarela no DF assusta a população",
A Tarde, 09 de janeiro de 2008.


Todos os dias os jornalistas nos enchem com manchetes como essas. São desastres, falhas do governo, epidemias e tudo que for desgraça que houver nessa vida. A sensação que causa é que não existe nada de bom para se orgulhar, e que a vida está tendendo para pior.

Quando o aeroporto está funcionando bem, sem problemas, nenhum jornalista aparece lá para fazer a cobertura. "O aeroporto opera com plena capacidade e nem sinal de crise áerea". Você nunca verá uma manchete dessas num jornal ou telejornal. Outras manchetes impossíveis: "De um total de 1345 ônibus em Salvador, seis foram assaltados nas últimas 24 horas", "Vacina contra febre amarela salva a vida de habitantes de Cabrobó do Jerre-jerre", ou "Rodovias asfaltadas recentemente fazem diminuir os acidentes nesse fim de semana".

O que dá audiência é notícia ruim! Os jornalistas já sabem disso e parece que gastam todas as suas energias em buscar o que não funciona e o que não está normal. Por quê? Porque o ser humano é sádico por natureza. Se um capotamento acontece numa grande avenida na hora do rush, todos passam devagar para ver como ficou o estrago. Se um policial mata um bandido, todos ficam ao redor até a perícia chegar e remover o corpo. Se o marido da vizinha largou ela para fugir com outra, todos os vizinhos ficam sabendo em alguns minutos. As pessoas, em sua maioria, gostam de saber das desgraças alheias para confortar a sua própria falta de sorte. "Se deu errado pra fulano, então minha vida não é tão ruim assim", como dizem.

Também existem as pessoas que só prestam atenção às boas notícias se lhes interessar diretamente. Por exemplo, se um apostador ganhar 1 milhão de reais na Mega-Sena, viajar para outro país, e gastar tudo por lá, os parentes vão ficar frustados porque ele não deu nenhuma parte da quantia para ninguém. Na hora de apostar, ninguém quis contribuir mas, na hora de ganhar os louros, todo mundo aparece para cobrar até o que não tem direito algum. "Miserável, nem me deu milzinho", vão dizer.

Felizmente, não são todos que são assim o tempo todo. Algumas pessoas conseguem evitar isso na maior parte do tempo. Todos, sem exceção, passam algum momento na vida em que fazem essas coisas que estou criticando. Você, meu caro leitor, não já fez uma fofoca maliciosa algum dia? É difícil lutarmos contra nossa natureza ancestral primata mas temos que ficar policiando-nos constantemente para evitar fazer isso. Senão estaríamos alimentando esse sistema auto-depressivo que faz com que as más notícias tenham mais destaque que as boas notícias.

É preciso darmos mais atenção às coisas boas. Quando soubermos de algo ruim, temos que ter a responsabilidade de saber passar a informação com prudência e sem exageros. Vamos destacar os bons pensamentos em nosso dia-a-dia e aumentar a corrente de positivismo que pode fazer a diferença em nosso ambiente.