Absurdamente, está sendo levado ao sucesso uma música do compositor Joãozinho do Arrocha (compositor?) chamada "Nigrinha da Barroquinha". Acompanhem a letra abaixo, ouvindo a música (música?) ao clicar no player do MP3Tube. Paralelamente, eu faço os meus comentários sobre a poesia (poesia?).
Brega - Nigrinha da Barroquinha
Eu moro em um condomínio fechado no centro
encontro mulheres tão lindas, mas nem me apresento
por que meu verdadeiro amor está na periferia
Pernambués, Paripe, Resgate, Cosme de Farias
Comentário: para quem lê este blog e não conhece Salvador, a última linha cita bairros pobres de Salvador.
Posso frequentar altas rodas da high society
tomar Gin com tônica, ou Campary com Coca-Light
só que pro meu coração eu nao posso mentir (não)
pois só me vem esse sonho quando eu vou dormir
Comentário: o cara quis inovar colocando palavras em inglês e, além disso, parece que não sabe que as bebidas citadas estão fora de moda; quem é rico bebe é uísque.
- Refrão -
uma nigrinha da Barroquinha
menina linda, ela quem me alucina, me seduz, me fascina
eu sou seu amante mesmo tão distante
o meu ganha pão eu gasto com lotação pra te ver todo instante.
Comentário: a Barroquinha é um terminal de ônibus de Salvador, extremamente mal-cuidado, que fica no centro de Salvador; lá é cheio de prostitutas baratas, pedintes e sem-teto.
eu sei que você ja tentou fazer alisamento
só que seu cabelo é duro parecendo cimento
mesmo assim o meu coração conquistou
cabelo de cabo-de-aço de elevador
Comentário: a mulher é miserável, só pode! o autor estava extremamente inspirado para compôr a última linha dessa estrofe. :-p
eu não tenho carro, sempre ando de buzú
não canso de esperar Mata Escura, Doron R1
pois estando parado no ponto, tenho um pensamento;
te encontrar no fim de linha, a qualquer momento
Comentário: as duas citações que ele fez são linhas de ônibus para dois bairros também pobres de Salvador.
Joãozinho (parece aquele personagem tradicional de piadas) estava sonhando com as musas inspiradoras gregas para compôr essa pérola da cultura popular soteropolitana. Essa música é uma ode às piriguetes dos bairros pobres, que tentam escovar o cabelo para ficarem iguais a Xuxa e loiras adjacentes, além de ser uma homenagem ao mais usado transporte público do Brasil: o buzú.
Pra começar o ano de 2008, essa piada já mostra que será um ano bem humorado, não acham? Oxente... né não...
"(...) Um abraço pra galera de Pernambués, que tá assistindo a gente aqui (...) é só isso aí mesmo, o aviso tá dado (...) só tem nigrinha!"