Paz, amor, respeito, ética, solidariedade... Pedimos tudo que é possível de ser positivo na passagem de ano. O sentimento de bondade é tão grande que esquecemos por um momento a dura realidade pela qual temos que passar dia após dia.Passei mais uma vez a virada do ano no Farol da Barra, ponto turístico tradicional de Salvador, para ver a melhor queima de fogos da Bahia. Com a companhia de amigos e minha noiva, o ano passado foi tão espetacular que resolvemos todos repetir a dose novamente. Foram quinze minutos de traços e rabiscos coloridos no céu estrelado que cobre o bairro da Barra.
Porém, este ano foi muito diferente do ano passado. Assim que chegamos à praia, em frente ao prédio do Barra Center, notei que a areia estava loteada pelos ambulantes. Várias cordas, mesas e cadeiras ocupavam o espaço público e os "donos" cobravam R$ 50,00 para quem quisesse sentar na mesa. Achei um absurdo e, para não estragar a nossa festa, resolvemos buscar um pedaço qualquer de areia que ainda não estivesse "grilado" pelos ambulantes. Achamos um local ainda não ocupado e jogamos a toalha de praia no chão para também "grilarmos" o nosso chão. Ponto negativo para a prefeitura.
Nossa amiga estava com vontade de ir ao banheiro e foi procurar um sanitário químico; normalmente nessas festas de multidão têm bastante. Ela voltou decepcionada por não ter encontrado nenhum e teve que ir na casa de uma outra amiga para aliviar as suas necessidades. Depois disso, todo mundo ficou com medo de beber para não ter que passar aperto na hora de procurar outro sanitário. Bem mais tarde, descobrimos onde estavam os poucos sanitários químicos. Outro ponto negativo para a prefeitura.
Depois da queima de fogos, dos pulos nas sete "ondinhas" e dos brindes com Sidra Cereser, era o momento de sair da areia e voltar para a rua asfaltada. Que inferno! A subida da escada estava totalmente congestionada, com pessoas empurrando umas às outras e quase acontece uma briga entre um apressadinho e um pai com uma criança nos ombros. Deveriam haver mais escadas de acesso à areia, ou pelo menos policiais controlando o fluxo de pessoas nas escadas. Mais ponto negativo para a prefeitura.
Já que o espaço público está, ano após ano, sendo ocupado por poucos, então é melhor nem sair de casa no próximo reveillon. Se é pra ir e ter que pagar para sentar na areia, eu prefiro passar a festa em outro lugar mais confortável. Cada vez mais, a prefeitura não cumpre seu papel de defensora dos direitos coletivos e não fiscaliza os abusos que são cometidos pelos ambulantes nessas festas. Compreendo que são pessoas desempregadas buscando ganhar dinheiro para sobreviver, mas a cidadania e a democracia não podem ser violadas desta forma. A prefeitura tem que conciliar ambos os lados e impôr uma solução que seja boa para todos e não apenas para uns poucos.
Aproveito para desejar a todos um Feliz Ano Novo e desejar que todos tenhamos paz, amor, respeito, ética, solidariedade...
Atualizado em 02/01/2008: Coloquei um vídeo da queima de fogos no YouTube. Confira!