Esta semana, a Prefeitura de Salvador anunciou que o Rei Momo escolhido para o Carnaval 2008 será Clarindo Silva, popular figura da cidade, dono da Cantina da Lua, no Pelourinho, e uma polêmica discussão foi estabelecida entre os soteropolitanos.Historicamente, o Rei Momo é uma das personalidades carnavalescas que referencia Momo (Momus, em grego), o deus dos escritores e poetas, filho da Noite (Nix, em grego). Momo era muito sarcástico, mal-intencionado, irônico e um crítico injusto. Devido as suas contantes críticas, foi exilado do Monte Olimpo. A origem do Carnaval passa pelos bacanais (festas em homenagem a Baco, o deus do vinho e da alegria) na Roma Antiga e pelas festas egípcias em homenagem a Ísis e Osíris; por toda a história do Carnaval, as pessoas festejam os vícios e pecados que são repreendidos nos dias comuns.
Sendo assim, sempre foram escolhidas pessoas gordas para o cargo de Rei Momo por simbolizarem melhor tudo que este cargo simboliza. A gordura no físico de uma pessoa está associada ao pecado capital da gula. Quem é guloso, possui um vício. Ter um vício é escolher viver fora das regras da sociedade, é ser um "fora-da-lei", como o deus Momo era. Enfim, nos mundos de hoje em que se cultua a saúde e a malhação nas academias, ser gordo é ser contrário a este estilo de vida. Se todos os dias do ano, as pessoas combatem a obesidade, então no Carnaval hão de combater a magreza. O Sr. Clarindo Silva tem apenas 58 kg de peso.
As regras no concurso para Rei Momo foram mudadas em cima da hora para favorecer um capricho do Presidente da Federação dos Clubes Carnavalescos de Salvador; ele queria que neste Carnaval o Rei Momo fosse uma figura de notória popularidade. Não fez nenhuma consulta popular, e não avisou com antecedência que as regras seriam mudadas. Vários gordinhos inscreveram-se para um concurso que exigia, anteriormente, que os candidatos tivessem, no mínimo, 120 kg. Dois absurdos estão sendo feitos: mudança de regras em cima da hora, como se fosse uma ditadura, e quebra de uma tradição milenar.
Penso que o Prefeito de Salvador deveria intervir logo nesse assunto e seguir as regras anteriores para esse ano. Se a orientação é mudar a tradição do Rei Momo gordo, então que estabeleça novas regras para o ano que vem, com antecedência, para que não fruste mais outros tantos gordinhos que sonham em ser uma das atrações principais do Carnaval.
Atualização (25/01/2008): A juíza Aidê Ouaiss anulou o escolha de Clarindo para rei Momo e exigiu que seja realizada a eleição de um rei Momo segundo as regras iniciais do concurso. O Presidente da Federação dos Clubes Carnavalescos de Salvador entrou com um mandado de segurança contra a juíza. A briga promete!