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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Como não ficar com o nome grifado em rosa no Gmail

Essa dica é de extrema importância para todos os machistas que possuem Gmail. Se você não tem um Gmail, ou se até tiver, mas não o usa como email principal, está dando mole. Lamento profundamente. É o melhor sistema de e-mail já criado no mundo. Ponto.

Quem tem Gmail já percebeu que nas discussões entre vários remetentes, onde as mensagens ficam agrupadas, cada remetente fica grifado com uma cor diferenciada, muito comum quando você está falando de algum assunto em uma lista ou fórum.

Já teve o desprazer de ter seu nome grifado em rosa? Sim, imagine você discutindo sobre linguagens de programação, ou algum assunto importante para a humanidade, e quando vai listar as respostas aparece seu nome grifado em rosinha. O Google ri de você nesse momento e deixa um código no cookie do seu browser indicando que você é uma bichona.

Mas, como se livrar desse mal e só sair com cores de macho no Gmail? Muito simples caro macho alfa das outras: basta nunca ser o quinto respondente.

O infeliz quinto elemento que responder ou comentar algo será grifado como "rosinha" para todo o sempre, até que a discussão chegue ao fim e uma nova seja aberta.

Existem outras cores que também deixarão todos rindo de você e soltando piadinhas infames, principalmente o sujeito que iniciar a discussão que é um verde e o segundo, o vermelho sangue! Ser o first aqui vale a pena, e não é coisa de idiota querer ser o primeiro a comentar em algum post.

Segue a listagem com 10 cores que o Gmail grifa os remetentes:
  1. Verde Escuro
  2. Vermelho Sangue Infernal
  3. Roxinho
  4. Amarelo
  5. Rosinha
  6. Azul-Verde
  7. Verde-Azul
  8. Rosinha escuro
  9. Amarelo Escuro
  10. Roxo-Azul

E não importa se depois de você ter sido o quinto a responder falar novamente, seu nome sempre será rosinha. Deixe seus amigos se estreparem, deixe tudo estrategicamente armado para aquele cara que você não gosta ser o rosinha e o humilhe na frente de seus outros coleguinhas.

É infalível e a depender da pessoa funciona melhor do que um roundhouse kick direto na caixa dos peito. Fiquem ligados agora ok?

Fonte: e-mail.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Manual de direção veicular soteropolitana

Se você, prezado leitor, está vindo morar ou pretende alugar um carro enquanto estiver passando suas férias em Salvador, prepare-se para reaprender condutas de direção veicular. Na capital baiana não se dirige como em outras cidades do país; aqui se dirige ao modo soteropolitano.

Para ajudar a quebrar o paradigma e auxiliar você a compreender como 90% dos soteropolitanos conduzem os veiculos, escrevi esse post com os tópicos principais percebidos no dia a dia do trânsito na capital.

Faixa de pedestre
Se vir um pedestre querendo atravessar a rua na faixa, não deixe! Mostre a ele que seu carro é mais veloz, mais forte e maior do que ele. Acelere, buzine, faça jogo de luz e avise-o de que a casta dos pedestres é insignificante e inferior à casta dos motoristas; é poeira aos pés de Brahma.

Sinaleira, semáforo ou farol
Existe uma tradição soteropolitana em buzinar imediatamente quando o semáforo muda para a cor verde. É uma saudação cultural muito forte, quase religiosa, que também tem o propósito de alertar o seu colega motorista da frente enquanto ele está distraído trocando o CD do som do carro.

Faixa de trânsito
É muito entediante ficar numa única faixa numa avenida com quase 13 km de extensão. Solução: troque constantemente de faixa. Assim você não deixa a situação ficar chata e ainda agita a vida de seus colegas motoristas que tentarão frear e desviar de você.

Seta ou pisca-pisca
É um item acessório do carro; opcional. Não se sabe para que um carro precisa de uma lâmpada piscando intermitentemente só para avisar para que lado o condutor deseja levar o veículo. Os outros não tem nada a ver com isso! Se virem e adivinhem para que lado eu quero jogar o carro, ora!

Sinaleira, semáforo ou farol (2)
Quando vir a cor amarela, acelere! É um aviso de que vai mudar para a cor vermelha e fechar o trânsito naquela via. Se você reduzir, o pessoal vai buzinar atrás de você chamando-lhe de babaca.

Entrando numa via
Quando quiser entrar numa via de maior velocidade após sair de uma rua de menor velocidade, simplesmente execute a técnica "embique e reze". Jogue paulatinamente a frente do carro (o bico) na via que se deseja atingir e faça cara de mau para os motoristas que vão tentar frear para não bater em seu carro. Acelere assim que puder para sair logo dali e não ficar parecendo uma estátua no meio da avenida.

Velocidade
Em Salvador quem é lerdo não tem vez! Se você estiver na via e se deparar com um lerdo na sua frente que te faça frear o carro, buzine! Faça jogo de luz, mude de faixa e ultrapasse-o, encarando com a cara mais malvada que você puder fazer. É inconcebível que existam pessoas que andem dentro dos limites de velocidade da via, mesmo que seja madrugada.

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Naturalmente, para quem ainda não entendeu, esse post foi escrito como uma crítica à falta de educação da grande maioria dos motoristas soteropolitanos. Infelizmente, Salvador já recebeu várias vezes o título de pior trânsito entre as capitais do país. A única coisa boa é que quem dirige aqui consegue dirigir em qualquer outro lugar, até na Índia.

sábado, 3 de outubro de 2009

Canguru

Na viagem de descoberta da Austrália, um grupo de marinheiros do Capitão James Cook capturou um bebê canguru, e trouxe a estranha criatura a bordo do navio. Ninguém sabia o que era aquilo, então alguns homens foram enviados à praia para perguntar aos nativos. Quando os marinheiros retornaram, disseram aos seus companheiros: "é um canguru". Muitos anos mais tarde, descobriu-se que quando os aborígenes disseram "canguru" significa "Não sei." na linguagem deles. [1]
Um canguru e seu filhote
Esse é o mito australiano para a origem do nome do canguru. Sem entender inglês, os aborígenes apenas respondiam "kanguru" que corresponde a palavra aborígene para "eu não sei". Apesar de os ingleses não falarem o idioma aborígene, isso não os impediu de batizarem o animal, símbolo da Austrália, de "eu não sei".

Agora, pensem num diálogo entre dois aborígenes. Liga a tecla SAP:
- Esses homens brancos são muito estranhos não?
- É mesmo!
- Chamam o nosso mascote Joey de "eu não sei". Pode?

A verdade mesmo é que a palavra canguru deriva de gaNurru, do idioma aborígene Guguyimidjir, significando um canguru cinzento oriental [2]. Uma vez que o idioma Guguyimidjir era falado apenas por algumas tribos aborígenes, os outros nativos australianos que não falavam Guguyimidjir não entendiam a o quê os ingleses se referiam quando chamavam o animal de kangaroo.

Fonte: Wikipedia e Canguru.info 
Referências:
[1] Publicado em The Observer (London, suplemento de 25 de novembro de 1973), apud Ian Hacking, Por que a Linguagem Interessa à Filosofia?, São Paulo: Editora UNESP, 1999. trad. Maria Elisa Marchini Sayeg sob a revisão de Cezar Augusto Mortari, pp. 150-51.
[2] Etymology of mammal names

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Velhos ditados na era digital

Esses versos circulam por e-mail ao redor do mundo; apenas resolvi copiá-los aqui. Enjoy it!

  1. A pressa é inimiga da conexão.
  2. Amigos, amigos, senhas à parte.
  3. Antes só, do que chats aborrecidos.
  4. A arquivo dado não se olha o formato.
  5. Diga-me que chat frequentas e te direi quem és.
  6. Para bom provedor uma senha basta.
  7. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
  8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
  9. Em terra off-line, quem tem um 486 é rei.
  10. Hacker que ladra, não morde.
  11. Mais vale um arquivo no HD de que dois baixando.
  12. Mouse sujo se limpa em casa.
  13. Melhor prevenir do que formatar.
  14. O barato sai caro. E lento.
  15. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.
  16. Quando um não quer, dois não teclam.
  17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
  18. Quem clica seus males multiplica.
  19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
  20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
  21. Quem não tem banda larga, caça com modem.
  22. Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.
  23. Quem semeia e-mails, colhe spams.
  24. Quem tem dedo vai a Roma.com
  25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.
  26. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.
  27. Diga-me que computador tens e direi quem és.
  28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder...
  29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha.
  30. Aluno de informática não cola, faz backup.
  31. O problema do computador é o USB (Usuário Super Burro).
  32. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... E depois se cola.

Até a próxima!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Se o seu estômago falasse...

Enquanto isso, no rodízio...

- Estômago: - Cara, manera aê com o que vai comer. Essa semana foi foda. Manda uns vegetais pra dentro, porque as coisas no intestino estão feias.

Primeiro prato (800g): Arroz, feijoada, cupim, picanha, coração de galinha e tomate.

- Estômago: - Tá de sacanagem, né? Duas rodelas de tomate? E essas carnes mal-passadas? Pelo menos mastiga direito essa porra.

Segundo prato (550g): Arroz, costela, picanha, alcatra e salada de maionese.

- Estômago: - Chega de carne, cara, não cabe mais nada aqui. Lembra daquela úlcera? Tá faltando pouco pra cicatriz abrir. Tu quer fuder com tudo, né ? Manda um pouco de água.

Bebida: Coca-Cola 600ml

- Estômago: - Seu imbecil, eu falei um pouco de água.
- Eu: - Ué, Coca-Cola tem água. E ainda ajuda a dissolver a carne.
- Estômago: - Coca-cola tem o inferno dentro, porra. Tá fudendo aqui com o suco-gástrico.
- Esposa: - Amor, com quem você tá falando?
- Eu: - Nada, não, tô pensando alto.

Sobremesa: 300g de pudim.

- Estômago: - Eita porra, cabe mais não. Tá ouvindo?
- Intestino: - O que tá acontecendo aí em cima? Que zona é essa?
- Estômago: - O cara tá empurrando comida. Agora veio pudim pra dentro. Não sei mais o que fazer.
- Intestino: - Vamos mandar direto.
- Estômago: - O quê?
- Intestino: - É isso aí, operação descarga.
- Estômago: - Cara, o cérebro não vai gostar.
- Intestino: - Foda-se o cérebro, ele nunca veio aqui em baixo pra saber como são as coisas.
- Estômago: - Vamos dar mais uma chance pra ele. Eu acho que ele não vai mais...

Bebida 2: Cafezinho.

Estômago - Filho de uma puta. Vou explodir.
Intestino - Operação descarga iniciando. Anda, libera o canal do duodeno que eu já tô conversando com o esfíncter.
Coração - Que que tá havendo aí embaixo? A adrenalina tá aumentando muito.
Intestino - Operação descarga.
Coração - Quem autorizou isso? O cérebro não me mandou nada.
Estômago - Foda-se aquela geléia! Nem músculo tem.
Intestino - É isso aê, foda-se essa géleia inútil. Vinte segundos pra abrir o esfíncter anal. Quero ver o ânus arder com esse suco gástrico.

Esposa - Amor, você tá passando bem? Tá suando todo, aonde você vai?
Eu - Preciso ir ao banheiro, urgente. Paga a conta e me espera no carro.
Esposa - O que você comeu?
Eu - Não sei. Acho que foi o tomate.

Fonte: E-mail que eu recebi.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Engenharia pra quê? [3]

Continuando com nossa séria de maluquices feitas quando se contrata um pretendente a engenheiro.

Categoria Escadas:

A escada era útil há algum tempo atrás, mas o "engenheiro" deu a sua solução para a reforma.


Não é possível que um shopping center contrate um profissional que deixe acontecer isso.


E essa escada leva para aonde?


Que precisão! Para ir ao andar de cima a pessoa tem que se espremer toda para conseguir passar.


E, finalmente, a campeã!

Não consegui imaginar como é que uma pessoa vai ao andar de cima. Quem conseguir, me diga!

Engenharia pra quê? [2]

Continuando com nossa séria de maluquices feitas quando se contrata um pretendente a engenheiro.

Categoria Portas:

Essa porta deve ser para anão! Reparem na altura da fechadura para o chão e na desproporção entre a altura e a largura.


Já essa porta deve ser para pessoas muito magras. Quem projetou não sabe nada de proporção.


Gostaria de saber como é que uma pessoa vai entrar por aquela porta de cima...


Ou por essa aqui...


Ou essa aqui! Será que foi o mesmo "engenheiro"?


E, finalmente, a campeã!

Só quero saber como é que a pessoa entra pela porta da esquerda. E a porta da direita? Uma chuvinha basta para ninguém entrar em casa.


Ainda tem mais uma série de fotos. Até lá!

Engenharia pra quê?

Recebi um e-mail contendo imagens de edificações e interiores de residências construídas, possivelmente, por um "metido" a engenheiro. Observem algumas das maluquices que foram feitas.

Categoria Sanitários:

O cara não mediu corretamente a distância da porta para o vaso e depois deu um jeitinho. Tsc, tsc!


Imaginem! Dá pra fazer uma cagada coletiva!


Quem for usar esse vaso vai se sentir o rei!


Lembram da lei da Física que diz "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço"?
Esse "engenheiro" aí faltou a essa aula.



Depois eu posto mais!

domingo, 2 de março de 2008

Salvador inundada

No dia 28 de fevereiro de 2008, Salvador presenciou a fúria da natureza quando uma frente fria atacou a cidade e derrubou o esperado de quatro meses de chuva em apenas uma noite. Eu estava em uma aula na pós-graduação (do prof. José Maria) e Sérgio me deu uma carona para casa. Ele escreveu um relato hilário sobre o que aconteceu conosco. Mas advirto os meus leitores: o que aconteceu foi pior do que está relatado.

Por Sérgio Simões:

Noite de 28 de fevereiro de 2008. Noite fria. Assim como foi a aula de SOA. Na saída, combinei dar uma carona para meus colegas de pós-graduação, Alexandre e Leo. Mal sabíamos a aventura que nos aguardava...

22:20 - Entramos pela sinaleira do Itaigara. A chuva não pára e o nível da água já assusta. Engato a segunda e acelero, rezando para a fama do Celta de não parar com qualquer água ser verdadeira.

22:29 - Passamos pelo primeiro obstáculo. Chegamos ao Hiper Posto para subir para Brotas. De repente, um pensamento sombrio me gela a espinha. "Se o Itaigara já estava assim, então deve estar descendo muita água da parte alta da cidade".

22:32 - Subimos por uma ladeira secundária para Brotas que mais lembrava uma corredeira. A força da água faz a subida ser mais difícil, mas o Celta vai dando conta do recado. Minha espinha agora parece uma geladeira...

22:38 - O alto de Brotas está completamente inundado. Olho para Alexandre e noto que ele está tão apreensivo quanto eu. O vidro do carro começa a embaçar e a visibilidade é ruim. Tenho de desligar o ar-condicionado várias vezes, pois o motor começa a falhar. A tempéstade se aproxima e estamos indo direto para o seu coração...

22:45 - Alexandre indica um atalho que nos leva para o Bonocô. Ao passar, vemos diversos carros parados e me pergunto se daqui a pouco não seremos mais um deles. Iniciamos a descida da ladeira, que agora é uma verdadeira queda d´agua.

22:50 - A descida para o Bonocô é um caos. Não se sabe mais o que é rua, passeio, buraco. Nessa loucura, sigo apenas os meus instintos. No banco de trás, vejo Léo com os olhos arregalados, abraçando as próprias pernas. Do meu lado, Alexandre começa a rezar baixinho. As "ondas" batem fortes a boreste (sim, agora meu carro passou de veículo terrestre para marítimo em 10 minutos). Seguro firme o leme e navego do jeito que dá.

23:00 - Chegamos ao Bonocô. Lá, a força da água faz com que todos os carros parem para esperar a chuva passar. Falo para meus companheiros: "calma galera, agora vamos sair dessa". Mal termino a frase e uma onda bate forte do lado do Celta. Agora nosso barco virou um submarino. Pelo vidro fechado vemos o flutuar de pneus, lixo e dois rubro-negros afogados, provavelmente pegos de surpresa pela enxurrada. Pobres diabos !

23:10 - O ar está acabando. Tento raciocinar direito enquanto ouço Léo dizer algumas palavras incompreensíveis no banco do fundo. Algo como "eu mato Zé Maria", ou algo parecido. Nessa quase escuridão, Alexandre escreve uma carta de despedida prá Rosinha. O moral da tropa está péssimo. É quando noto que a água converge rapidamente para um mesmo ponto da rua. Dou a partida no motor (sim, descobri que o motor do Celta funciona submerso) e arranco para essa direção. O problema é fazer isso sem um periscópio.

23:15 - Finalmente emergimos à superfície. Olhares curiosos de alguns sobreviventes se perguntam de onde viemos. Nesse momento, vejo a ladeira que nos levaria para o Vale das Flores. Vejo nossa salvação. Antes disso, porém, vemos um jipe Troller e uma Hilux com dificuldades. Nos olhamos os 3 e, sem dizer uma só palavra, damos meia-volta para ajudar. Amarramos nossas camisas umas as outras e improvisamos uma corda.

23:30 - Um troller, 3 hilux e um ônibus depois, decidmos seguir em frente. Os donos dos veículos
socorridos se despedem de nós, com um ar meio agradecido, meio envergonhado ("é sério, fui rebocado por um Celta ?", dizia um deles). Eles tentam agradecer nos dando umas notas molhadas, mas decidimos não aceitar ("nesse novo mundo sub-aquático, o dinheiro não tem qualquer valor", teria dito Léo, ainda em transe).

23:35 - Chegamos ao Vale das Flores. Na porta do prédio de Alexandre, encontramos Rosinha com uma vela e um terço nas mãos, totalmente vestida de preto, já esperando pelo pior. Ao ver Alexandre, ela fala "Ô, meu neguinho, siga a luz, siga a luz...". Demorou, mas ela se recobrou e entendeu que seu recém-marido estava vivo, são e salvo (apesar de um pouco assustado, muito sujo, sem camisa e com a barriga branca e protuberante à mostra). Beijos, abraços, e línguas são interrompidos quando pigarreio "aham", para lembrá-los que estavamo no meio da rua. Deixo os dois pombinhos e decido seguir meu caminho.

00:00 - Pouco tempo depois, termino minha missão. Deixo Léo na antiga passarela do Iguatemi (agora "ponte do Iguatemi"), para que ele vá para sua casa, em Feira de Santana. Horas depois eu descobri que a cidade de Feira já não mais existia, submersa por tsunamis causados pelas fortes chuvas. Isso com certeza o influenciou a seguir na marinha mercante, anos mais tarde.

Então é isso amigos. Fiz esse relato com todas as minhas memórias, antes que o tempo as consuma. Espero que o sacrifício desses 3 verdadeiros heróis não seja esquecido. 28 de fevereiro. O dia em que Salvador foi inundada...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Nigrinha da Barroquinha

Absurdamente, está sendo levado ao sucesso uma música do compositor Joãozinho do Arrocha (compositor?) chamada "Nigrinha da Barroquinha". Acompanhem a letra abaixo, ouvindo a música (música?) ao clicar no player do MP3Tube. Paralelamente, eu faço os meus comentários sobre a poesia (poesia?).

Brega - Nigrinha da Barroquinha


Eu moro em um condomínio fechado no centro
encontro mulheres tão lindas, mas nem me apresento
por que meu verdadeiro amor está na periferia
Pernambués, Paripe, Resgate, Cosme de Farias


Comentário: para quem lê este blog e não conhece Salvador, a última linha cita bairros pobres de Salvador.

Posso frequentar altas rodas da high society

tomar Gin com tônica, ou Campary com Coca-Light
só que pro meu coração eu nao posso mentir (não)
pois só me vem esse sonho quando eu vou dormir

Comentário: o cara quis inovar colocando palavras em inglês e, além disso, parece que não sabe que as bebidas citadas estão fora de moda; quem é rico bebe é uísque.

- Refrão -
uma nigrinha da Barroquinha
menina linda, ela quem me alucina, me seduz, me fascina
eu sou seu amante mesmo tão distante
o meu ganha pão eu gasto com lotação pra te ver todo instante.

Comentário: a Barroquinha é um terminal de ônibus de Salvador, extremamente mal-cuidado, que fica no centro de Salvador; lá é cheio de prostitutas baratas, pedintes e sem-teto.

eu sei que você ja tentou fazer alisamento
só que seu cabelo é duro parecendo cimento
mesmo assim o meu coração conquistou
cabelo de cabo-de-aço de elevador

Comentário: a mulher é miserável, só pode! o autor estava extremamente inspirado para compôr a última linha dessa estrofe. :-p

eu não tenho carro, sempre ando de buzú
não canso de esperar Mata Escura, Doron R1
pois estando parado no ponto, tenho um pensamento;
te encontrar no fim de linha, a qualquer momento

Comentário: as duas citações que ele fez são linhas de ônibus para dois bairros também pobres de Salvador.

Joãozinho (parece aquele personagem tradicional de piadas) estava sonhando com as musas inspiradoras gregas para compôr essa pérola da cultura popular soteropolitana. Essa música é uma ode às piriguetes dos bairros pobres, que tentam escovar o cabelo para ficarem iguais a Xuxa e loiras adjacentes, além de ser uma homenagem ao mais usado transporte público do Brasil: o buzú.

Pra começar o ano de 2008, essa piada já mostra que será um ano bem humorado, não acham? Oxente... né não...
"(...) Um abraço pra galera de Pernambués, que tá assistindo a gente aqui (...) é só isso aí mesmo, o aviso tá dado (...) só tem nigrinha!"