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sábado, 21 de novembro de 2009

Ceticismo ativo

Ao deparar-se com alguma ideia completamente nova ou algum fato que vai contra o status quo vigente, as pessoas costumam tomar uma das seguintes atitudes:
  • Aceitar a ideia ou fenômeno sem oferecer resistência ou crítica;
  • Rejeitar completamente a ideia ou fenômeno.
Em qual das duas você costuma se encaixar?

Ambas as atitudes são equivocadas. A melhor atitude perante novas descobertas é utilizar o ceticismo ativo, característica fundamental dos melhores cientistas. Apesar de sua aparente objetividade, o cético absoluto não contribui para o pensamento científico.

Ser cientista é compreender o princípio da refutabilidade, que nos diz: se há uma condição fundamental para que qualquer hipótese tenha o status de teoria científica, essa hipótese tem de ser falsificável. Em lógica, chamamos a isso de modus tollens. O importante não é definir o que é verdadeiro ou falso e sim distinguir a ciência da pseudo-ciência, sabendo muito bem que, por vezes, a ciência erra e a pseudo-ciência, por ser dogmática, às vezes acerta.

Querem um exemplo?

Há alguns anos, um grupo de parapsicólogos pensaram ter encontrado a prova definitiva da existência da telepatia. Em seus estudos, cientistas ocultavam uma carta de baralho e testavam a capacidade que indivíduos possuíam para “descobrir” qual era a carta oculta. Inacreditavelmente, alguns desses sujeitos eram capazes de obter uma média de acerto que, estatisticamente, seria impossível pelo método da tentativa e erro. Assim, os parapsicólogos afirmaram: “Foi telepatia”.

Felizmente, alguns cientistas dotados do ceticismo ativo quiseram verificar os dados obtidos. Ao repetirem o experimento, observaram que os supostos telepatas não estavam lendo a mente de ninguém. Na verdade, eles estavam fazendo leitura da linguagem corporal. De alguma forma, eles descobriram qual carta os cientistas seguravam apenas avaliando a maneira como o pesquisador os olhava.

Nesse caso, o segundo grupo de cientistas assumiu uma postura de céticos ativos. Talvez, ao se deparar com algum estudo desse tipo, a primeira atitude seja a de rejeitá-lo completamente. No entanto, essa atitude se torna tão dogmática quanto a aceitação dessas idéias sem questionamento.

Assim, o cético ativo é aquele que não apenas aceita ou rejeita uma ideia nova, mas também busca o máximo de dados objetivos capazes de comprová-la ou refutá-la.

Busco ser assim quando encontro algo novo na minha vida. Por isso, o lema desse blog é "reflita sobre tudo o que vier". Eu tento, nem sempre consigo, mas o ceticismo ativo é o horizonte para o qual eu olho quando penso e reflito sobre as coisas da vida.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Manual de direção veicular soteropolitana

Se você, prezado leitor, está vindo morar ou pretende alugar um carro enquanto estiver passando suas férias em Salvador, prepare-se para reaprender condutas de direção veicular. Na capital baiana não se dirige como em outras cidades do país; aqui se dirige ao modo soteropolitano.

Para ajudar a quebrar o paradigma e auxiliar você a compreender como 90% dos soteropolitanos conduzem os veiculos, escrevi esse post com os tópicos principais percebidos no dia a dia do trânsito na capital.

Faixa de pedestre
Se vir um pedestre querendo atravessar a rua na faixa, não deixe! Mostre a ele que seu carro é mais veloz, mais forte e maior do que ele. Acelere, buzine, faça jogo de luz e avise-o de que a casta dos pedestres é insignificante e inferior à casta dos motoristas; é poeira aos pés de Brahma.

Sinaleira, semáforo ou farol
Existe uma tradição soteropolitana em buzinar imediatamente quando o semáforo muda para a cor verde. É uma saudação cultural muito forte, quase religiosa, que também tem o propósito de alertar o seu colega motorista da frente enquanto ele está distraído trocando o CD do som do carro.

Faixa de trânsito
É muito entediante ficar numa única faixa numa avenida com quase 13 km de extensão. Solução: troque constantemente de faixa. Assim você não deixa a situação ficar chata e ainda agita a vida de seus colegas motoristas que tentarão frear e desviar de você.

Seta ou pisca-pisca
É um item acessório do carro; opcional. Não se sabe para que um carro precisa de uma lâmpada piscando intermitentemente só para avisar para que lado o condutor deseja levar o veículo. Os outros não tem nada a ver com isso! Se virem e adivinhem para que lado eu quero jogar o carro, ora!

Sinaleira, semáforo ou farol (2)
Quando vir a cor amarela, acelere! É um aviso de que vai mudar para a cor vermelha e fechar o trânsito naquela via. Se você reduzir, o pessoal vai buzinar atrás de você chamando-lhe de babaca.

Entrando numa via
Quando quiser entrar numa via de maior velocidade após sair de uma rua de menor velocidade, simplesmente execute a técnica "embique e reze". Jogue paulatinamente a frente do carro (o bico) na via que se deseja atingir e faça cara de mau para os motoristas que vão tentar frear para não bater em seu carro. Acelere assim que puder para sair logo dali e não ficar parecendo uma estátua no meio da avenida.

Velocidade
Em Salvador quem é lerdo não tem vez! Se você estiver na via e se deparar com um lerdo na sua frente que te faça frear o carro, buzine! Faça jogo de luz, mude de faixa e ultrapasse-o, encarando com a cara mais malvada que você puder fazer. É inconcebível que existam pessoas que andem dentro dos limites de velocidade da via, mesmo que seja madrugada.

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Naturalmente, para quem ainda não entendeu, esse post foi escrito como uma crítica à falta de educação da grande maioria dos motoristas soteropolitanos. Infelizmente, Salvador já recebeu várias vezes o título de pior trânsito entre as capitais do país. A única coisa boa é que quem dirige aqui consegue dirigir em qualquer outro lugar, até na Índia.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Renato Russo - A Peça

Foto de Bruce Gomlevsky interpretando Renato RussoDomingo, fui no Teatro Castro Alves com Rosinha e sua irmã para assistir Renato Russo - A Peça. Interpretado pelo ator Bruce Gomlevsky, o monólogo musical faz parte do Circuito Cultural Banco do Brasil e é dirigido por Mauro Mendonça Filho.

A peça narra a trajetória de vida de Renato Russo, ícone do rock brasileiro da década de 80, com projeções em telão, banda ao vivo e mais de vinte músicas, entre clássicos da Legião Urbana e outras lançadas em discos solo do cantor. A banda que acompanha o ator nas performances musicais chama-se Arte Profana.

Como sou fã da Legião Urbana, fui para o teatro cheio de expectativas quanto à fidelidade da execução das músicas pela banda, que sei tocar desde que comecei a aprender a tocar violão. Decepcionei-me!

A bateria estava desafinada, o ator-cantor desafinava várias vezes o baixista também errava muito e a banda em geral não executou fielmente os arranjos originais gravados pela banda. É inconcebível na minha cabeça que músicos profissionais possam ter errado tanto em uma única apresentação.

Eu sou músico amador e, modéstia à parte, sei mais detalhes das músicas da Legião do que os caras que estavam no palco naquele dia. Se eu fosse profissional e contratassem-me para essa apresentação, eu teria ao menos o trabalho de escutar muito os discos da banda.

Além disso, o ator precisa treinar mais a interpretação em drama. Sinceramente, ele não convenceu. Quem o viu no especial da Globo - chamado "Por toda a minha vida" - nem acredita que o ator tenha interpretado tão mal no palco do teatro.

Rosinha deu nota 7 ao espetáculo e eu dou nota 6! Frustrante!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Como não conquistar um cliente

Resolvi dar um perfume de presente para Rosinha e fui num site em que ela costuma comprar os produtos de beleza, chamado Época Cosméticos. Ela sempre me diz que lá tem boas promoções, tem alguns produtos baratos e sempre tem oferta de frete grátis. Lá fui eu...

Site da Época Cosméticos
Era domingo, escolhi o perfume, coloquei-o na cestinha virtual e fui para a conclusão da compra. Decidi pagar no cartão de crédito pois ela já tinha feito assim e não teve nenhum problema. Como eu não possuía cadastro no site, preenchi o formulário para efetivar a compra.

No cadastro, existem dois campos para números de telefone: residencial e celular. Como eu não tenho telefone fixo em casa - já que celular é muito prático e na maioria das vezes mais barato - preenchi os dois campos com o número do meu celular. Compra concluída, recebi o e-mail com a confirmação do pedido e aguardei.

Na última terça-feira, o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) do site me ligou (no meu celular) e me disse que para meu pedido ser liberado precisaria completar meu cadastro informando o número de meu telefone fixo. Informei a ela que não tinha fixo em casa, somente celular. A atendente me perguntou:

- Não tem nenhum fixo qualquer? Só pra completar o cadastro do Senhor...

Então, disse a ela que poderia dar o número do meu trabalho, um número fixo, mas não era residencial. Ela disse que não tinha problema. Quando comecei a dizer o número, a ligação caiu e ela não me retornou mais o contato.

Na quarta-feira, recebo um e-mail da Época Cosméticos dizendo que meu pedido foi cancelado e que não seria processado nenhum valor no meu cartão de crédito. Lembrei da tentativa de contato no dia anterior e escrevi esse e-mail para eles:

"Ontem, alguém do SAC de vocês me ligou pedindo para informar um número de telefone fixo qualquer para que meu cadastro fosse completo e o pedido pudesse ser liberado. Informei que eu não tenho telefone fixo, somente celular e a atendente pediu qualquer telefone. Quando comecei a informar um telefone do meu trabalho, a ligação caiu e ninguém mais retornou ligação para mim.

Nos tempos de hoje, em que é mais fácil uma pessoa ter telefone celular do que fixo, é inadimissível que isso impeça um cliente de comprar um produto num site de comércio eletrônico. O site de vocês foi bem recomendado e por isso optei em comprar o perfume na Época Cosméticos.

Se isso realmente for impeditivo para o meu pedido, então procurarei o perfume em outro lugar.

Aguardando retorno,

Alexandre"

Ontem, quinta-feira, recebi uma ligação do SAC do site. A atendente explicou que meu pedido não foi liberado pelo Setor Financeiro por falta de dados no meu cadastro, e que isso impossibilitava a eles efetuar a minha análise de crédito. Eu perguntei a ela sobre meu telefone no cadastro e ela disse que só constava o número do celular.

Contei a ela toda a resenha da terça-feira e que era inadimissível que um número de telefone fosse impedimento para um cliente fazer uma compra em um site de comércio eletrônico. Ela me disse que apenas ligou para explicar o motivo do cancelamento do pedido.

Aí eu perguntei a ela:
- Quer dizer que vocês não vão me vender o perfume por causa de um telefone fixo?

Ela respondeu:
- Não, senhor. Não vamos.

Eu esperava que ela fosse tentar pedir algum número de telefone fixo novamente para tentar resgatar a venda do produto. Quando ela respondeu que não queria mais me vender nada, fiquei totalmente desconcertado e só me veio a seguinte resposta na cabeça:

- Então vou procurar o perfume em outro site - Submarino, Americanas - porque lá eles não me obrigam a ter um telefone fixo para me vender alguma coisa.

Ligação encerrada.

Ora, bolas! Se eu fosse o dono do site iria querer que meus vendedores resgatassem a venda para poder faturar. O que aprendi nessa história toda é que a Época Cosméticos está pouco se lixando para seus clientes excepcionais. Sim, excepcionais porque eu não tenho um telefone fixo e o sistema de venda deles não previu essa situação e nem tentaram contorná-la.

Eu nunca mais compro nada nesse site.

sábado, 27 de junho de 2009

O(A) senhor(a) pode estar lendo esse post

Estava no mercado com Rosinha quando passamos próximo a um stand promocional da Nestlé. A promoção da vez era algo sobre a empresa dar casas para quem comprasse leite em pó da marca Ninho.

Foi quando eu ouvi: - A senhora pode estar preenchendo esse formulário...

Eu pensei imediatamente: até em stand o pessoal fala com gerundismo. E resolvi olhar para quem havia dito isso. Quando meus olhos encontraram a mulher "gerúndica", notei que não havia nenhuma outra mulher na frente dela. Ora! Então com quem ela falou?

Meus olhos encontraram a parte passiva do diálogo logo abaixo; uns 40 centímetros mais abaixo. Era uma criança que olhava para a mulher "gerúndica" com aquela carinha de que não estava entendendo nada.

Tratar uma criança como Senhora? Definitivamente, estamos lidando com asnos no atendimento ao cliente. Já não basta o teleatendimento enchendo o saco no telefone de casa com os roteiros de atendimento prontos, sem espaço para desvios e indagações, agora isso está se espalhando por todo lugar.

Entendo que o texto decorado é bom para padronizar a forma com que a equipe da Nestlé iria abordar as pessoas. Só esqueceram de treinar a mulher para adaptar o texto às circunstâncias que porventura acontecessem no stand.

Ah, e eu acabei esquecendo como era a promoção. Só sei que tinha casa no meio...